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A
MINISTRA DA EDUCAÇÃO
Um
lapso grave
Quando
falamos da escola, dos professores, dos programas, do péssimo,
ou do bom, dos alunos, do ministério, dos problemas do ensino,
das consequências das escolas degradadas, dos laboratórios
mal equipados, ou do presidente do conselho executivo, dos pais, do ministro
ou do secretário de estado, dos livros que não passam de
lixo caro ou daqueles que valem mais do que o que custam, estamos a falar
do ensino.
Englobamos
na palavra ensino todo um universo complexo e vasto.
Mas
ensino é também o acto de ensinar. E quem
ensina são os professores.
A
palavra tem um sentido restrito, o acto de ensinar, e um sentido lato,
tudo o que intervém no fenómeno da aprendizagem.
Mas
ensinar é tarefa dos professores. Quando usamos a palavra ensino,
(em sentido lato ou restrito) associamo-la insensivelmente à palavra
professor.
Daqui
resulta uma certa confusão, não consciencializada, na cabeça
da generalidade das pessoas.
Quando
falam do ou pensam no ensino, ainda que saibam que estão a falar
de um universo, fazem uma síntese inconsciente e vêem a imagem
do professor.
Este
fenómeno tem uma consequência extremamente grave, a generalidade
das pessoas considerarem as deficiências de aprendizagem e até
de educação (em sentido lato), qualquer que seja a sua causa,
consequência directa da acção (ou da falta de acção)
do professor. É uma ideia falsa e extremamente perigosa pois iliba
de responsabilidades tudo e todos os que estão para além
do professor.
Todos
sabemos, mas fazemos por esquecer, que a trilogia básica da aprendizagem
e do processo educativo são os professores, os alunos e
os pais.
Creio
que a ministra está a cometer um erro grave pondo toda a carga
em cima dos professores.
Para
já, parece-me indispensável que a ministra proclame alto
e bom som e repetidamente que o sucesso escolar assenta em três
pilares fundamentais (professores, alunos e pais). Não são
os únicos, mas o sucesso tem que se fazer com eles e, mais importante,
não pode fazer-se sem eles.
E
que a responsabilidade do resultado é de todos.
Isto,
que é um acto de justiça e de realismo, aliviará
a tensão que pesa sobre os professores, e eles próprios
(e os alunos e os pais) e o país tomarão conhecimento, pelo
público testemunho de ministra, que o sucesso não é
uma responsabilidade exclusiva dos professores, ainda que por uma questão
de facilidade e de rendibilidade do esforço aplicado seja por eles
que a renovação tem que começar.
PS
– Não falei no Ministério, mas não foi por esquecimento.
12
de Junho de 2006
J.
Vicente Pinto
{novo texto / imagens}
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