BCP…15-01-2008

UMA ASSEMBLEIA DE GRANDES SENHORES, dependentes

 

 

 

No processo da eleição de uma nova administração para o BCP foi notória a movimentação dos grandes accionistas, com avanços e recuos, declarações decisivas e hesitações permanentes, grupos de consenso criados e desfeitos, tudo dando a ideia de que havia várias cabeças independentes e a luta podia ser renhida, cada um defendendo os seus interesses e pugnando por concretizar alianças numa imagem de interesses divergentes e capacidade de decisão autónoma.

 

Creio que foi este ambiente que levou Cadilhe a avançar, se não para ganhar, para, pelo menos, obtendo uma votação honrosa, ter

uma presença no Conselho que lhe permitisse ser um observador e participante não comprometido.

 

Feita a votação verificou-se uma impressionante unanimidade –

97 ou 98 % dos presentes alinharam com a lista encabeçada por Carlos Santos Ferreira, vindo da Caixa Geral de Depósitos acompanhado do seu colega ArmandoVara.

 

A dupla Berardo/Sócrates tinha ganho a eleição para a administração do Banco Comercial Português.

 

Por que digo dupla Berardo/Sócrates ?

 

Porque Berardo foi a primeira pessoa a falar no nome de Santos Ferreira, numa altura em que todos ainda nos lembrávamos que Santos Ferreira tinha sido um dos proponentes do desmantelamento do BCP e da entrega das suas parcelas à Caixa e a outros bancos, e ainda ninguém sabia que Santos Ferreira e Vara tinham emprestado a Berardo muitos milhões de Euros para compra de acções do BCP.?

 

Digo Sócrates, porque “apadrinhou” o nome de Santos Ferreira e disponibilizou imediatamente dois administradores da Caixa,, homens seus, desguarnecendo esta instituição, entidade publica, para servir o BCP, entidade privada.

 

Dir-me-ão: Sócrates nomeou outros igualmente competentes para os substituir na Caixa. Pergunto: mas então por que não seguiu um caminho muito mais simples – mandar os tais outros, igualmente competentes , directamente para o BCP. E respondo: não tinha nenhuma garantia sobre um comportamento “amigável e compreensivo” da parte de Faria de Oliveira.

 

O resultado da votação, considerando as movimentações anteriores dos accionistas, indicia que o comportamento de uma parte deles resultou de medo, ganância ou falta de alternativa. Ganância porque o Estado é a melhor vaca para se mamar sem perigo (mas é preciso mamar com jeito e nunca espicaçar o animal) e medo, porque, muitos deles estão de tal modo endividados à Caixa e/ou ao BCP que estão “impedidos” de se esquecerem do que diz a sabedoria popular – com teu amo não jogues as peras porque ele come as maduras e dá-te as verdes”.

 

É a vida!

 

 

06 de Fevereiro de 2008

 

J. Vicente Pinto

 

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