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CHINA, problema vital do Ocidente
Introdução
O comércio da China com o resto do mundo e em especial com os países europeus, e com a União Europeia no seu conjunto, e as suas consequências na crise económica destes países tem sido ignorada.
Estamos todos virados e atentos e abismados com a crise financeira e com a eminência de rotura do sistema financeiro e com as aflições vividas com realidade da dívida soberana e a situação quase insolúvel de encontrar um caminho que permita ultrapassá-la, que já aceitamos, como uma fatalidade inelutável, a consequência de uma regressão na economia e no emprego.
Viramo-nos para todos os lados à procura de uma saída; estonteados, culpamos tudo e todos e simultaneamente absolvemos todos e tudo, numa confusão de quem, tendo caído à água num mar encapelado, não sabe nadar.
Mas ninguém fala, possivelmente, porque uns têm culpas, outros estão comprometidos, outros ganham com a situação, outros são imbecilmente ingénuos, outros são “sabiamente” incompetentes, da terrível perturbação causada pela entrada em força, com inteligência e poder, no sistema económico e financeiro mundial de um país com um quinto da população da Terra, agindo sob uma só bandeira e uma só batuta e, nos últimos dez anos, com inteira liberdade de acção económica e financeira em todo o planeta.
A China emergiu há vinte anos e hoje realiza cerca de 12% do comércio mundial e tem reservas de moeda estrangeira e ouro que ultrapassam (em 2010) 2.622.000.000.000 de dólares.(em 2004 - 609.900.000.000)
A China criou muitos milhões de empregos dentro das suas fronteiras e eliminou milhões fora delas. A China tem hoje meios financeiros para subverter o sistema financeiro do Ocidente.
Realidades que os “cabecinhas” ocidentais se recusam a considerar nas suas congeminações.
(Não ponho de lado a ideia de que parte desses “cabecinhas” sejam deliberadamente “estúpidos”!)
I
Fundos financeiros criados e geridos por burlões e trapaceiros, especuladores centrados exclusivamente nos seus interesses, bancos imprudentes e desonestos, banqueiros gananciosos e sem visão, supervisores financeiros incompetentes ou coniventes, grandes industriais e comerciantes transnacionais que não vêem para além da ponta do seu nariz, políticos de sarjeta, incompetentes ou comprometidos com interesses obscuros, “sábios sociais” de vão de escada, povos abúlicos ou assustados, inquinados por uma numerosa escória praticante ou promotora do laró e da vida com direitos sem deveres, tudo isto, que são problemas temerosos, o Ocidente seria, muito provavelmente, capaz de digerir, …mas estes não são o problema vital do Ocidente.
II
A CHINA é o problema vital do Ocidente
A China é o problema vital do Ocidente, pela capacidade de sacrifício do seu povo, pela determinação e inteligência dos seus governantes e pela sua enorme dimensão sob uma só bandeira.
A China tem como objectivo o domínio do mundo; o seu governo quer que a China deixe de ser o império do meio (do meio sugere que está cercada) para passar a ser o império do centro (ideia de que tudo gira à roda dela) e, muito provavelmente, vai atingir o seu objectivo se o Ocidente, isto é, os ocidentais, não tomarem consciência de que a próxima hora é a 25ª, isto é, aquela que já não existe.
O mundo mudou!
O Ocidente não pode ambicionar ser o centro do mundo no século XXI. O que podemos ambicionar é que o poder do mundo assente numa tripeça em que as pernas sejam a China, a União Europeia e os Estados Unidos da América e que estes três poderes sejam suficientemente sábios e prudentes para compreenderem que três pernas é o mínimo e o suficiente para uma base equilibrada.
O Ocidente tem que assumir que é sua obrigação lutar por si próprio, para que não soçobre neste difícil século XXI, e conter a China, como um parceiro igual, e fazer-lhe perceber que o seu projecto hegemónico não tem espaço. E isso não vai acontecer enquanto o Ocidente não conquistar o respeito da China!
E, para já, os dirigentes e povos do Ocidente não se têm mostrado, pela sua incompetência, ingenuidade, desunião, fraqueza, abertura à submissão e, possivelmente, venalidade de alguns ou de muitos, dignos desse respeito!
Até agora, desde a longínqua década de 70, os chineses têm vencido o Ocidente em todos os combates, com uma única excepção!
A China tem, no imediato, muitas vantagens do seu lado.
A China pode, sem dificuldade, subverter o Ocidente. Com a sua “incomensurável” reserva de divisas pode manipular e, até destruir, o sistema financeiro internacional (e não sabemos se não está fazê-lo), pode comprar o que lhe interessar do Ocidente (e há sempre quem venda), com os seus salários muito mais baixos que os do Ocidente e com a sua moeda subvalorizada destrói emprego, principalmente o menos qualificado (e está a fazê-lo), e abala a economia; com o seu dinheiro e os seus infiltrados pode fomentar a desordem social. E, como em toda a parte há sempre alguém à venda, pode comprar pessoas.
III
Os trunfos da China neste combate, enumeração não exaustiva:
1. A promoção, com sucesso, do nacionalismo pelo Partido Comunista Chinês, primeiro contra a URRS e, posteriormente, contra o Mundo;
2. A mística imperialista intensamente fomentada pelo governo chinês, entre o seu povo, a partir dos anos setenta. Também com sucesso.
3. Os muitos milhões distribuídos a agentes externos.
Nota 1: Este “investimento” começou em meados dos anos sessenta na tentativa, não explicita, de Mao-Tse-Tung, de combater e ocupar a posição da URSS como mentor do movimento comunista mundial.
Nota 2: Segundo alguns historiadores (Jung Chang e Jon Halliday) este “investimento” só teve resultados positivos em Portugal. Foram visíveis em 1974/75.
4. A prática chinesa de meter “toupeiras” nas hostes inimigas, mantendo, por vezes, estes infiltrados adormecidos durante dezenas de anos.
5. Os 1.300.000.000 de habitantes da China dos quais, pelo menos, 1.000.000.000 ainda esperam por comer o bastante e vestir o suficiente. Uma inesgotável reserva de mão-de-obra!
6. Os baixíssimos salários
7. A China mantém, há muitos anos, sem qualquer oposição eficaz do Ocidente, a sua moeda francamente desvalorizada, obtendo uma vantagem competitiva inultrapassável.
8. O baixíssimo preço dos seus produtos exportados, arma básica do seu combate com o Ocidente
9. A estupidez e ganância do Ocidente: A instalação de indústrias ocidentais na China, sem qualquer oposição e, muitas vezes, com o apoio dos governos ocidentais., fornecendo tecnologia quase instantânea e sem custos, promovendo uma rapidíssima industrialização, o que impede ajustamentos industriais do Ocidente em tempo oportuno
10. Incompetência, estupidez, inexperiência e ingenuidade de maior parte dos políticos do Ocidente
11. O enorme poder das grandes empresas industriais e do grande comércio internacional nas políticas nacionais ocidentais
12. A abertura (quase) incondicional do Ocidente aos produtos chineses
PENSE !
Lisboa, 23 de Outubro de 2011
Joaquim Vicente Pinto jotap@sapo.pt www.favelaocidental.com
NOTAS SOBRE O COMÉRCIO CHINÊS COM O MUNDO
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