CALÍGULA, por alcunha o botinhas, o ditador insensato

 

 

I

 

Calígula foi imperador romano de 37 a 41; foi um tirano cruel e desapiedado que, exercendo um poder absoluto e discricionário, mandou matar muitos dos que se lhe opunham ou cuja riqueza cobiçava.

 

Julgava-se um deus e procedia como tal.

 

Foi o primeiro ou um dos primeiros a utilizar a técnica “ que floresçam mil flores!” para caçar opositores ingénuos e ingénuos ambiciosos com vontade de o ajudar, com as suas ideias, a dirigir o império.

 

Nomeou o seu cavalo, Incitatus , senador, dando-lhe todas as benesses inerentes ao cargo e impondo que fosse objecto de extravagantes manifestações de respeito Por esta nomeação tem sido considerado, por muitos historiadores, como louco. Creio que é uma interpretação muito benevolente e preguiçosa.

 

Na minha, Calígula não era louco, era simplesmente insensato.

 

II

 

Mandou matar alguns senadores e ofendeu-os profundamente a todos.

Como dizia um velho e sabido senador que não quis ser identificado: “Andamos todos com muita sorte; imaginem que em vez de nomear senador o seu cavalo nos nomeava a todos cavalos e nos mandava atrelar aos carros que transportam a pedra para o aqueduto!

 

Vergou-nos até ao chão, pôs-nos a rastejar como míseras minhocas escondidas na lama, mas estamos vivos – estamos vivos como indivíduos e, principalmente, estamos vivos como classe. Calígula cometeu o erro de nos amesquinhar a todos, amigos e inimigos, competentes e incompetentes, homens e mulheres, trabalhadores honestos e sanguessugas desonestos; ofendeu pretos e brancos, vermelhos e cor-de-rosa.

 

Calígula é um insensato! Esperemos para ver! Julgando-se deus omnipotente acabará por ofender a força que o suporta…e então morrerá!”

 

III

 

O senador incógnito via ao longe. Pouco depois Calígula e a família foram assassinados pela guarda pretoriana, cujo chefe se cansou de ser amesquinhado.

 

… E os senadores não tinham esquecido a humilhação! Tudo o que lembrasse Calígula foi mandado destruir pelo senado.

 

IV

(Epílogo edificante para candidatos insensatos a ditador)

 

E, assim, se foi, desta vida, Calígula, o ditador!

 

J. Vicente Pinto

 

10-03-2007

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