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COMPRA
DE DIREITOS DE VOTO, VIA ILEGITIMA?
Opinião
insuspeita de um especialista internacionalmente reconhecido
Os
grandes accionistas (accionistas de referência) têm possibilidade
de assumir nas assembleias gerais das empresas de que detém participações
um peso que excede o que corresponde ao número de acções
de que são detentores, pela via da compra de direitos de
voto.
Sobre
este assunto DIZ-NOS ANTÓNIO BORGES (#), em entrevista
dada a Anabela Campos e Cristina Ferreira, publicada no Público
em 04 de Junho de 2007:
“Nas
Assembleias-Gerais nunca está o universo dos accionistas e há
cada vez mais casos de deturpação do voto .
É algo muito fácil de montar e de organizar. Consegue-se
através de transacções praticamente impossíveis
de detectar, que muitos accionistas abdiquem do seu direito de voto e
vendam os seus votos a outros, o que torna a AG muito menos legitima,
…” A manipulação de votos em AG “Faz-se através de
muitos instrumentos financeiros, nomeadamente derivados, que permitem
que as pessoas fiquem com as acções durante o tempo necessário
para votar, mas com a possibilidade de não terem nenhum risco económico,
nem investirem qualquer capital. Há toda a espécie
de instrumentos derivados que permitem fazer esta tipo de operações,
numa escala sem limite.”
Proponho
duas perguntas:
Primeira
– Em que medida, no nosso país, grandes accionistas de
referência usam (ou abusam) desta via?
Segunda
– Em que medida fundos de investimento ou gestores de fundos
de investimento estão envolvidos nestas operações?
PENSE!
(#)
“Perfil de António Borges
Economista
e professor universitário ,
António
Borges , 57 anos,
fundador
do European Corporate Governance
Institute (ECGI) , a que hoje preside
Licenciado
pela Universidade Técnica de Lisboa ,
Doutorou-se
em economia na Universidade de Stantford ., nos EUA
Em
1990 assumiu funções de vice-governador do Banco
de Portugal , que exerceu até1993,
quando
foi convidado para ser reitor da prestigiada escola de negócios
francesa INSEAD .
Em
2000, partiu para Londres para integrar o banco de investimento norte-americano
Goldman Sachs, ocupando uma das vice-presidências,
cargo que ainda mantém”.
06
de Junho de 2007
J.
Vicente Pinto
{novo texto / imagens}
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