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Crise + eleições – Marinho e Pinto, MAIS UM PELA ABSTENÇÃO QUANDO SÓ O VOTO EM BRANCO DÁ RESPOSTA

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Público, 17 de Abril de 2011:

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 “ Marinho e Pinto incita à “greve à democracia” nas eleições”

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“ António Marinho e Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, incitou os portugueses a uma espécie de greve à democracia nas eleições antecipadas de  5 de Junho, frisando que não compreende como é que os portugueses ainda votam.

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“Em declarações à rádio TSF, Marinho e Pinto “invocou declarações de Manuela Ferreira Leite nas legislativas de 2009, quando a então presidente do PSD sugeriu a “suspensão da democracia por seis meses”  para afirmar que os portugueses devem responsabilizar a elite política pela situação do país, exigindo assim mais rigor aos políticos. Desta forma, sustentou, os portugueses estariam a “punir” a “mediocridade”: “Era a grande punição democrática para a mediocridade, oportunismo e incompetência de todos os políticos portugueses. Era envergonhá-los publicamente perante a Europa e o mundo”, explicou.”

(sublinhado meu)

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Comentário

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“Greve à democracia”, vulgo Abstenção

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Há muita e respeitável gente a recomendar que, como forma de repúdio de todos candidatos ou do sistema, os eleitores devem abster–se de ir às urnas.

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Marinho e Pinto é uma dessas pessoas. Mas há mais! Como exemplos referidos ultimamente neste site: Vasco Pulido Valente, Joaquim Jorge e Gonçalo Porto Carrero de Miranda

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.Pensemos sobre o tema!

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Pergunto: o que pode levar um eleitor a abster-se?

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Naturalmente, pode ser uma manifestação deliberada de repúdio contra todos os políticos concorrentes ou contra a sua prática política.

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Mas,

  • também pode ser uma manifestação contra os políticos e a política em geral,
  • ou desinteresse  pela política
  • ou doença impeditiva de deslocação
  • ou ausência da localidade de voto
  • ou ter tido, no último momento, um bom encontro
  • ou puro comodismo
  • ou ………..
  • ou ….…….
  • ou ……….  
  • ou simplesmente, não gostar da cara ou da maneira como veste o político ou a sua mulher.

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(Caro leitor, acrescente todas as muitas e insuspeitas razões que, na sua opinião, podem levar um eleitor a não ir depositar o seu voto, e esteja certo que nunca as mencionará todas).

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Podendo a abstenção ter origem em tantas causas, só abusivamente alguém poderá identificar uma causa como motivação específica do colectivo de abstencionistas em determinado acto eleitoral. A única posição honesta em face da abstenção é considerar que a sua causa é indeterminada.

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A abstenção é a não-participação por razão/causa não identificável por terceiros.

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Quem atribuir uma motivação eleitoral à abstenção para efeito de análise dos resultados eleitorais, se não é um manipulador consciente, é, sem dúvida, na melhor das hipóteses, um eleitor mal avisado.

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Voto em branco

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Há muito que defendo que ao voto em branco deve ser atribuído um significado específico bem definido – o voto em branco não é um descuido do cidadão eleitor, não pode ser tomado como um engano nem rotulado como uma forma de abstenção.

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Votar em branco exige a ida do eleitor ao local de voto, que não deteriore nem inscreva qualquer sinal no boletim e, mais, que deposite o seu boletim na urna.

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O voto em branco é uma inequívoca manifestação de vontade e, pela via dele, o eleitor afirma que nenhum dos candidatos merece a sua confiança ou, mais radicalmente, que repudia todos aqueles candidatos e/ou o sistema político vigente.

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O voto em branco é um voto contra, um voto de recusa O eleitor não define um caminho para o futuro, mas diz de forma clara que não quer o presente!

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Até agora, e de uma maneira geral, os políticos têm desconsiderado o voto em branco, procurando, por todos os meios, confundi-lo, no seu significado, com os nulos ou com a abstenção.

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Compreendo que o façam – o voto em branco pode fazer doer.

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NOTA – Alguns dos recentes levantamentos populares nos países árabes têm as características específicas do voto em branco.

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18 de Abril de 2011

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Joaquim Vicente Pinto       jotap@sapo.pt     www.favelaocidental.com

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