|
DE
COMO O DIABO, POR AMOR , MATOU A MÃE ,
E
O BLOCO DE ESQUERDA, POR AMOR (A UM ESQUERDISMO
OUTONIÇO) , SE PROPÕE TRAVAR O DESEMPENHO
DA ESCOLA PÚBLICA
Primeiro
acto
DE
COMO O DIABO, POR AMOR, MATOU A MÃE …
Esta
é uma história antiga que vou contar por palavras minhas.
Quando
ainda havia anjos, vivia na Terra uma comunidade dos ditos e. entre eles
havia um, o mais lindo, o mais inteligente, o mais esforçado, o
mais vigoroso, o mais querido de toda a comunidade, chamado diabo
.
O
diabo amava a mãe e estava permanentemente a demonstrar-lhe
o seu amor: dava-lhe a carne e o peixe e comia ossos e espinhas, lavava-lhe
e passava-lhe a roupa e trazia a sua suja e amarrotada, se iam a fonte
carregava o seu cântaro e o dela, se a mãe tropeçava
deitava-se no chão para que ela caísse em cima dele e não
se magoasse, se tinham que fazer uma viagem não queria que a mãe
levasse o burro que ele a transportaria às cavalitas, chegou mesmo,
num dia em que a mãe se recusou a descer do burro, a levar o burro
e a mãe às costas.
O
diabo estava disposto a fazer todos os sacrifícios pela
sua mãe (Só Deus sabia que verdadeiramente o que o movia
era a vaidade de saber que todas as mães invejavam a sua Mãe
porque ele era único e exemplar.)
O
diabo queria superar-se, queria atingir, pela sua mãe,
(para Deus, pela sua vaidade) o limite do sacrifício, o limite
que ninguém fosse capaz de atingir e muito menos de ultrapassar.
E,
finalmente, achou!
Naquele
dia reuniu a comunidade dos anjos e anunciou que ia fazer a prova suprema
do seu amor filial.
Colocou
a mãe a uns 500 pés de distância (naquele tempo ainda
não havia metro e, conforme o tamanho dos pés de cada um,
as opiniões divergiam entre 450 e 550 pés ) e atirou-lhe
com um pesado madeiro, como se quisesse esmagá-la. Os presentes
ficaram petrificados de horror, mas o diabo, num ápice, correu
(voou?) para a mãe e colocou-se entre ela e o madeiro que ainda
vinha no ar, e suportou ele a pancada.
Depois
repetiu a cena com um bloco de granito, depois com
uma enorme pedra lançada com uma funda, depois com um a seta lançada
com um gigantesca besta, depois com uma espingarda de caça que
dava uma rajada de seis tiros. Em todos os casos correu e chegou junto
da mãe antes do projéctil – sempre foi ele o atingido; e
a mãe ilesa. O diabo estava transformado numa massa informe de
carne e ossos mas via-se que estava feliz. Ele era único!
Mas
isto não lhe chegava; ele queria ser mais do que único,
queria ser o impossível. E resolve fazer uma demonstração
definitiva.
Foi
ao futuro buscar uma carabina que os americanos ainda não tinham
inventado, tão rápida que a bala atingia o alvo
antes de partir , não se apercebeu deste pormenor, fez
pontaria, disparou e correu. Quando chegou, a mãe estava morta;
não compreendeu – a bala tinha sido mais rápida do que ele!
A
multidão, a uma só voz, exclamou com desprezo: POBRE DIABO!...Enquistou
em ideias velhas…
Segundo
acto
DE
COMO O BLOCO DE ESQUERDA, POR AMOR
(A
UM ESQUERDISMO OUTONIÇO) ,
SE
PROPÕE TRAVAR O DESEMPENHO DA ESCOLA PÚBLICA
À
LAIA DE ENTRÓITO
Há
pessoas que defendem a escola privada e consideram que o Estado deve subsidiar
a sua frequência pelos alunos que queiram frequentá-la –
argumentam com a constituição e com a melhor qualidade do
ensino destas escolas.
Não
concordo com a posição destas pessoas, e não vamos
agora discutir este tema.
Mas
considero, como toda a gente, que a qualidade da escola pública
tem que melhorar até ao ponto de fornecer aos seus alunos um ensino
de uma qualidade que permita a um cada um deles explorar ao máximo
o seu potencial e obter os melhores resultados compatíveis com
as suas capacidades.
A
qualidade do ensino tem que se traduzir na qualidade da aprendizagem dos
alunos que o frequentam, dentro dos parâmetros definidos pela sua
(deles) inteligência, pelas suas aptidões e pela sua personalidade.
A
escola tem optimizar a sua produtividade.
Tem
que fornecer a melhor aprendizagem compatível com os meios, humanos
e materiais, de que dispõe e o potencial dos discentes que a frequentam.
Para
isso tem que decidir da forma como utiliza o seu quadro de professores
e organiza o seu universo de alunos de modo que a sua produtividade em
termo de aprendizagem seja máxima.
É
aqui que surge o problema primário e fundamental da organização
das turmas – homogéneas ou heterogéneas – e o problema prévio:
homogéneas/heterogéneas em relação a que atributo
ou atributos.
O
BE E O DESEMPENHO DA ESCOLA PÚBLICA
Em
01 de Abril o Público publicou
um texto, que reproduzo parcialmente a seguir, assinado por M.J.S.
Nota
– Negrito e sublinhados meus.
•
Público Terça-feira 1 Abril 2008
“BE
quer combate ao abandono e insucesso escolar
•
Os deputados do Bloco de Esquerda vão apresentar, ainda na presente
legislatura, dois projectos de lei na área da educação.
Uma das propostas sugere a criação de equipas multidisciplinares
de combate ao abandono e insucesso escolar, que façam o acompanhamento
dos alunos sinalizados pelos conselhos de turma como estando em risco,
O outro projecto de lei visa estabelecer princípios de organização
da escola pública, de forma a garantir
“turmas.heterogéneas”. Com esta proposta, o BE tenta
acabar com “as turmas dos filhos dos doutores e as turmas dos
repetentes ”, segundo referiu a deputada Ana Drago, e avança
também com uma redução do número máximo
de alunos por turma (20 alunos, no primeiro ciclo, e 22 nos segundo e
terceiro ciclos e secundário) e por docente. A apresentação
dos dois anteprojectos de lei foi feita ontem à tarde, no fim do
primeiro dia das jornadas parlamentares que o BE está realizar
em Aveiro, A agenda de trabalhos de hoje irá centrar-se nas questões
da saúde. M.J.S.”
Comentários
Nota
- Estes comentários visam somente a parte
do texto que se encontra sublinhada, a saber:
“O
outro projecto de lei visa estabelecer princípios de organização
da escola pública, de forma a garantir
“turmas.heterogéneas”. Com esta proposta, o BE tenta
acabar com “as turmas dos filhos dos doutores e as turmas dos
repetentes ””,
Comentando
O
Bloco de Esquerda quer que se combata o abandono e o insucesso escolar
(na escola pública).
Desejo
declarar desde já que não tenho a menor duvida de que este
é um desejo sincero desta organização política,
como, de resto, de todos os portugueses, com a possível excepção
dos que querem que o Estado pague as propinas dos seus filhos, nas escolas
privadas.
Mas
penso que, no que diz respeito ao insucesso escolar, seria bem melhor
que o BE, em vez de se bater contra o insucesso lutasse pelo sucesso
escolar .
Parece
que é a mesma coisa mas, de facto, são objectivos completamente
diferentes.
Combater
o insucesso é combater as notas abaixo de 10; de facto, é
um simples objectivo estatístico.
Combater
pelo sucesso escolar é uma atitude completamente diferente, é
lutar para que os alunos atinjam, na aprendizagem, um nível que
se aproxime do seu potencial, qualquer que este seja.
O
Bloco de Esquerda ataca o problema do ensino com uma óptica estritamente
política, mas isso não é o pior; o pior é
que se trata de uma óptica política tacanha e ultrapassada.
Ouçamos
isto: Com esta proposta o BE tenta acabar com “ as turmas dos
filhos dos doutores e as turmas dos repetentes”
Cheira
a bolor, mas apesar disso eu estou inteiramente de acordo .
Não há nenhuma razão para que haja turmas dos filhos
dos doutores; já turmas de repetentes podem, eventualmente, encontrar
suporte válido.
Mas,
logo a seguir o Bloco de Esquerda “borra a opa” deixando-se dominar pelos
seus preconceitos políticos (há que garantir “turmas
heterogéneas ”), sacrificando aos seus fantasmas, os interesses
do ensino e da aprendizagem, dos alunos e do país.
APÊNDICE
1
Não
sabemos com exactidão o que significa para o BE “turmas
heterogéneas” mas podemos imaginar que sejam turmas em que haja
filhos de pobrezinhos, filhos de pobres, filhos de remediados. filhos
de falsos ricos, filhos de ricos e filhos de muito ricos.
Imaginemos,
também, que criamos uma turma com os mais inteligentes, trabalhadores
e ambiciosos dos, anteriormente referidos, filhos dos pobrezinhos, dos
pobres, dos remediados, dos falsos ricos, dos ricos e dos muito ricos.
Estamos
em face de uma turma heterogénea? Ou homogénea?
Para
o Bloco de Esquerda estamos, possivelmente, em face de uma turma heterogénea;
para mim, tal turma é homogénea.
APÊNDICE
2
Se
o nosso objectivo é combater o insucesso , podemos
permitir-nos todas as fantasias na organização das heterogéneas
turmas (e na utilização dos professores).
Se
queremos fomentar o sucesso escolar temos que ter critérios
adequados a este objectivo na formatação das turmas do nosso
universo estudantil (e na utilização dos professores).
APÊNDICE
3
(Aqui
para nós: parece uma chinesice, mas tem muita importância))
E,
a não esquecer, no caso de as turmas serem identificadas por letras,
a sua sequência por ordem de “qualidade” (qualquer que seja o atributo
qualificativo) nunca deve corresponder à sequência alfabética
– as letras identificadoras devem ser atribuídas ao acaso (por
sorteio).
12
de Abril de 2008
J.
Vicente Pinto
{novo texto / imagens}
|