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DESCENDENTE ORGULHOSO E PORTUGUÊS RECONHECIDO! – Eu, Paris, 1999
I
Em Dezembro de 1999 visitei em Paris, no Institut du Monde Arabe, uma exposição sobre “la civilisation des Deux Mers” organizada por este Instituto em parceria com o Ministério do Conselho de Ministros e da Informação do Barein ..
O Estado do Barein é territorialmente um pequeno arquipélago, cuja ilha de maior superfície, ilha do Barein, dá o nome ao país – 700 km2 e cerca de 800.000 habitantes.
Situado no Golfo Pérsico, junto à costa da Arábia Saudita, dista de Riad, capital deste país, uns 350 km e fica a uns 200 km da costa da Pérsia, hoje Irão, e a uns 400 kms do Kuweit e do Iraque e a uns oito meses de viagem de Lisboa (no século XVI).
Com mais de 4000 anos de uma história rica, já na idade do bronze era um importante centro de arte e de comércio. Escavações arqueológicas recentes confirmam todo esse passado. A sua população é árabe.
Hoje, além do petróleo, o Barein é um importante centro financeiro. E ocupa a 39ª posição no ranking do IDH (Índice do Desenvolvimento Humano).( Portugal está na 40ª posição.)
Em 1521, poucos anos depois de Vasco da Gama ter chegado à Índia, a ilha de Barein foi ocupada pelos portugueses, nossos antepassados, que lá permaneceram mais de um século. No princípio do século XVII foi ocupado pelos persas.
II
Bem! Feita esta sumária introdução, indispensável para nos situarmos, voltemos ao Instituto do Mundo Árabe, em Paris, e à exposição “ Bahrein, la civilization des Deux Mers” e, por via desta, ao Golfo Pérsico.
O documento básico distribuído aos visitantes era uma edição especial do Paris Match, designada como guia da exposição, com dez páginas, editada pelo Instituto do Mundo árabe..
Com grande surpresa minha, ao folhear a revista, deparei-me com uma grande fotografia, mostrando um campo arqueológico tendo como fundo, a toda a largura de duas páginas contíguas (46x30 cm), uma enorme construção e a legenda
Qal’at-al.Bahrein é o local da antiga capital de Dilmoun. À sombra do Forte português do século XVI, encontram-se os estratos de todas as civilizações que se sucederam desde a idade do bronze, cerca de 2000 a. J-C
(negrito, meu)
E mais adiante, página 11, no texto:
“ A fortaleza, restaurada no século XIII, é utilizada para o comércio com a Pérsia e a China, até à chegada de ousados navegadores vindos de Portugal, que, em 1521, após um longo cerco, a tomaram deixando-lhe o nome pelo qual por vezes é ainda designada: Forte português.”
(negrito, meu)
Nota – Com esta referência aos portugueses termina um relato sucinto de quatro mil anos da história do país
Senti-me orgulhoso pelos nossos antepassados do século XVI – mais uma vez, no estrangeiro, orgulhoso por ser português – , e reconhecido ao Povo que, no longínquo Golfo pérsico, integra Portugal, com naturalidade, na sua própria história.
Nota justificativa – Encontrei hoje entre papéis “velhos” o referido folheto.
09 de Janeiro de 2011
Joaquim Vicente Pinto jotap@sapo.pt www.favelaocidental.com
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