|
EDUCANDO
PARA A IMPUNIDADE
Nota
prévia :
Este
texto compõe-se de duas partes:
A
primeira é a transcrição da notícia “ Pinto
Ribeiro revela ter elementos seguros de alunos que vão armados
para a escola ” publicada, em 04 de Abril de 2008, no
Público;
A
segunda é constituída por parte do texto que publiquei neste
site, sob o título “ Escola e delinquência",
em 09 de Março último.
TRANSCRIÇÃO
(negrito meu) do
texto publicado pelo Público.
Pinto
Monteiro revela ter elementos seguros de alunos que vão armados
para as escolas
O
procurador - geral
encontrou-se
com o
Presidente
da República e
pediu
aos professores que
denunciem
todos os casos
de
agressões.
O
procurador-geral da República, Pinto Monteiro, considerou ontem
‘insignificante” o caso ocorrido na Escola Secundária de Carolina
Michaëlis , cuja divulgação na lnternet da luta entre
professora e aluna motivou a abertura de urna investigação
por parte do Ministério Público, tendo em conta que tem
“elementos seguros de que há alunos que vão armados
para as escolas” . “ Para o procurador, o que se passou
na escola do Porto é ‘chocante ”, mas "não
é o mais grave ”.
“
Se vos disser que tenho elementos seguros de escolas em que os
alunos vão armados com pistolas de 6,35 e 9mm não me digam
que isto é uma coisa que já acontecia antigamente porque
não é verdade ”, explicou, no final de uma audiência
com o Presidente da República, Cavaco Silva.
Pinto
Monteiro apelou aos conselhos executivos das escolas e aos professores
para que denunciem todos os casos de agressões praticadas dentro
dos estabelecimentos de ensino, actos que configuram um crime público,
Para o magistrado, os órgãos directivos das escolas e os
docentes “ têm de ter coragem, obrigação e
dever cívico para participarem ” os casos de violência.
Pinto
Monteiro adiantou ainda que os professores não devem ter medo de
sofrer represálias ao denunciarem os casos de violência e
indisciplina de que são vítimas.
O
Presidente da República, Cavaco Silva, recebeu o procurador-geral
da República, numa audiência onde a violência nas escolas
foi um dos temas abordados, após a repercussão dos últimos
casos divulgados na imprensa e os reiterados avisos de Pinto Monteiro
para a importância do combate a estes casos.
No
regresso de uma recente visita oficial a Moçambique, Cavaco Silva
manifestou-se chocado com um vídeo onde se via urna aluna da Escola
Carolina Micaëlis , no Porto, a tentar tirar à força
das mãos da respectiva professora um telemóvel que esta
lhe tinha apreendido.
No
final da audiência de hoje, o procurador-geral insistiu em que “
os ilícitos criminais ” têm de ser denunciados,
não podendo existir “ um sentimento de impunidade ”.
Afirmando que “ os pequenos crimes não têm sido investigados
”, destacou que os “ pequenos ilícitos geram os
grandes ilicitos ”.
Pinto
Monteiro ressalvou que não quer ‘ interferir no aspecto
disciplinar ” das escolas, mas insistiu em que “ os crimes
” devem ser punidos. O procurador recordou mais uma vez que já
vem alertando para o problema da violência nas escolas há
mais de um ano, tendo este caso da Carolina Michaëlis servido “ para
despertar a atenção de pessoas” .
Sobre
a audiência com o Presidente. o Pinto Monteiro disse que Cavaco
Silva partilha da sua preocupação e está “ altamente
” sensibilizado para o problema da violência nas escolas.
No
último mês e meio, o Ministério Público deduziu
três acusações e reabriu um inquérito em quatro
casos de violência escolar registados no Distrito Judicial de Lisboa,
anunciou terça-feira a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL),
A PCDL indicou que foram sinalizados durante a primeira quinzena de Fevereiro
quatro inquéritos, tendo os factos ocorrido entre Setembro e Novembro
de 2007.
TRANSCRIÇÃO
parcial do meu texto"Escola e delinquência"
publicado, em 09 de Março, neste site
II
Há
neste momento nas prisões portuguesas dez a doze mil pessoas, das
quais mais de três quartos são homens. Apesar de muitos delinquentes
escaparem à justiça, há muitas dezenas de milhares
de pessoas que já passaram pela prisão.
Mas
é seguro que a grande maioria dos delinquentes também
passou pela escola ! Dito de outra maneira: em cada ano
entram para a escola algumas centenas de potenciais delinquentes,
na sua grande maioria do sexo masculino.
Pense
nisto!
Os
nossos pedagogos e as nossas autoridades escolares recusam-se a pensar
– no mundo deles só há pombas brancas!
III
Considero
que a escola tem a obrigação de fornecer ensino e promover
a aprendizagem, e, além disso, de contribuir
para a formação do carácter dos seus alunos.
A
escola tem a obrigação de ajudar a formar
cidadãos íntegros e responsáveis.
Ainda
posso compreender, mas não aceitar, a posição dos
que acham que a escola tem que fornecer ensino de qualidade e nada mais,
mas desde que sejam rigorosos e competentes na prossecussão do
seu objectivo.
Não
posso compreender nem aceitar que pelo seu laxismo, pela sua pusilanimidade,
resultante de puro comodismo ou fundamentada em pedagogias delirantes,
(como foi, e, infelizmente, ainda é, a pedagogia da “escola dos
afectos”), a escola pública contribua para a deformação
do carácter dos seus alunos.
E
pergunto:
Em
que medida a escola pública, que durante dez anos educa
jovens para a impunidade, empurra portugueses para a irresponsabilidade
e para a delinquência?
09
de Março de 2008
J.
Vicente Pinto
REFLEXÃO
FINAL
Creio
que a maior parte dos professores são competentes para o exercício
da sua função, creio que a maior parte dos alunos são
crianças ou jovens com condições naturais para tirarem
proveito do seu tempo de escolaridade em termos de aprendizagem e cidadania.
Sei
que o ambiente social é adverso; sei que muitos pais estão
confusos e alguns completamente desinteressados.
Intuo,
pelo que ouço e vejo, que o Ministério é uma oligarquia
parasitária.
Acredito
que os pedagogos de serviço no último meio século
( e a inépcia de muitos ministros!) foram os principais responsáveis
pela situação a que chegou a escola pública no nosso
país. E verifico que os que ainda estão vivos não
saem de cena!
Gente
nova, com ideias novas, realistas, adequadas aos tempos actuais, precisa-se.
Gente que compreenda que a reforma da educação é
uma “maratona”, em que é fundamental gerir o percurso, não
uma corrida de “ 100 metros ”, em que o fito é a meta.
06
de Abril de 2008
J.
Vicente Pinto
{novo texto / imagens}
|