EGIPTO– “VOTAR EM BRANCO SEM ELEIÇÕES”, uma lição para todos nós!

 

 

I

 

Há muito que defendo que ao voto em branco deve ser atribuído um significado específico bem definido – o voto em branco não é um descuido do cidadão eleitor, não pode ser tomado como um engano nem rotulado como uma forma de abstenção.

 

Votar em branco exige a ida do eleitor ao local de voto, que não deteriore nem inscreva qualquer sinal no boletim e, mais, que deposite o seu boletim na urna.

 

O voto em branco é uma inequívoca manifestação de vontade e, pela via dele, o eleitor afirma que nenhum dos candidatos merece a sua confiança ou, mais radicalmente, que repudia todos aqueles candidatos e/ou o sistema político vigente.

 

O voto em branco é um voto contra, um voto de rejeição. O eleitor não define um caminho para o futuro, mas diz de forma clara que não quer o presente!

 

Até agora, e de uma maneira geral, os políticos têm desconsiderado o voto em branco, procurando, por todos os meios, confundi-lo, no seu significado, com os nulos ou com a abstenção.

 

Compreendo que o façam – o voto em branco pode fazer doer.

 

II

 

O povo egípcio acaba de dar uma lição exemplar levantando-se em massa contra o sistema político vigente há trinta anos, sem violência, com inaudita persistência e firmeza. E vencendo!...

 

O levantamento egípcio foi um acto colectivo de rejeição, foi um “votar em branco, sem eleições”. O povo com a sua recusa conseguiu o impensável – libertar-se da ditadura!

 

Esperemos, agora, que os políticos sejam capazes de inventar um futuro digno deste Povo!

 

 

15 de Fevereiro de 2011

 

Joaquim Vicente Pinto    jotap@sapo.pt         www.favelaocidental.com

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