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ELEIÇÕES EUROPEIAS – PARTICIPAÇÃO DOS PORTUGUESES, ”PROTESTANTES” E GANGA ELEITA
I
O modo como a participação nas eleições é, geralmente, apresentada na comunicação social – percentagem do número de votantes sobre o número de inscritos nos cadernos eleitorais – pode conduzir, e em 2009 conduziu, a significativas distorções.
De facto, em 2009 o número de inscritos, em virtude de ter entrado em vigor um sistema de inscrição e eliminação automáticas, teve um acréscimo (saldo) de 883 103 unidades.
Assim, os resultados, em percentagem de votantes, apresentam-se, nos últimos quatro escrutínios, como segue:
Votantes abstenções
Em 1994 35,54 % 64,46 % Em 1999 39,93 60,07 Em 2004 38,60 61,40 Em 2009 36,78 63,22
Conclusão imediata : Os portugueses estão a desinteressar-se gradualmente da construção da União Europeia.
II
Trata-se de uma conclusão apressada, resultante de uma apresentação pouco apropriada dos resultados eleitorais,
Sigamos uma via que elimina o desajustamento dos cadernos eleitorais e que se aceita em virtude de a população se manter praticamente estável.
Consideremos o número de votantes:
Votantes
Em 1994 3 044 001 cidadãos Em 1999 3 467 085 Em 2004 3 404 782 Em 2009 3 568 943
CONCLUSÃO: Os portugueses mantêm-se há dez anos no mesmo patamar de interesse, mas desgraçadamente esse interesse, manifestamente baixo, não chega para ser construtivo.
Em 2009 parece ter surgido um pequeno raio de esperança – 165 830 votantes optaram por votar em branco; ou seja, cerca de 5 % repudiaram todas as listas apresentadas pelos partidos, mas, participando, afirmaram que querem a União Europeia. Isto significa que alguma coisa começa a mexer. Cidadãos começam a dizer o que não querem: Compete aos políticos interpretar os seus sinais!
De facto, a quase totalidade dos candidatos à eleição, revelaram-se, enquanto candidatos, na sua actuação durante a campanha, ou, melhor, na falta dela, pura ganga política.
Impõe-se, para motivar os portugueses a participarem activamente na construção da União Europeia, que os candidatos a eurodeputados se empenhem a fundo no esclarecimento dos cidadãos sobre o sentido actual da reformatação do mundo, de qual a posição que, como europeus, podemos ambicionar e das decisões e acções que, imperativamente, temos que cumprir para atingir os nossos objectivos.
Esta é uma tarefa a que os candidatos não deviam ter fugido e que os eleitos devem esforçadamente executar para merecerem a consideração dos cidadãos que neles confiaram. Esperemos que cumpram o seu dever. Esperemos que justifiquem o que ganham!
30 de Junho de 2009
Joaquim Vicente Pinto jotap@sapo.pt www.favelaocidental.com {novo texto / imagens}
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