ELEIÇÕES EUROPEIAS (1) – APROVEITE! NÃO TERÁ OUTRA OPORTUNIDADE ANTES DE CINCO ANOS.

  

Nota prévia

Os políticos europeus querem construir uma União Europeia, sem o povo.

Ainda não compreenderam que, sem a adesão do povo, podem construir uma “União Europeia”, mas não a União Europeia de que a Europa e o Mundo precisam.

.

Vamos ter em Junho eleições para o “Parlamento Europeu”. Não perca esta oportunidade única de fazer ouvir a sua voz.

 

 

I

Transcrito da folha online do Parlamento Europeu:

 

“Sim, sim. Você decide. Votando.

Ao votar nas eleições para o PE, decide quem vai influir no seu futuro e no dia-a-dia de cerca de 500 milhões de cidadãos europeus. Se isso não o(a) preocupa, alguém se preocupará por si - decidindo quem o(a) vai representar na única assembleia pan‑europeia eleita por sufrágio directo. Os deputados eleitos vão moldar o futuro da Europa nos próximos 5 anos. Tenha a Europa que quer! Se não votar, não se queixe!”

II

Concordo inteiramente: se não votar, não se queixe!

Mas vou mais além …|

As eleições para o Parlamento Europeu realizam-se na primeira quinzena de Junho. São 750 deputados, dos quais 22 portugueses.

Dentro de muito pouco tempo os partidos começarão a promover-se para esta eleição e também, muito provavelmente, a promover os seus propostos mais conhecidos ou mais prestigiados.

Não venho falar nem nos partidos nem nos candidatos – não sou agente eleitoral nem pretendo influenciar ninguém nas suas opções.

Venho falar consigo e de si, cidadão com capacidade eleitoral

III

Nos últimos setenta ou oitenta anos os Estados Unidos foram o poder hegemónico. E continuarão a sê-lo … mas dentro de algumas dezenas de anos, digamos, menos de meio século, terão a concorrência de uma China igualmente poderosa. Dois poderes desta dimensão, num mundo cada vez mais apertado, têm muito poucas hipóteses de conviver pacificamente.

Por isso, o mundo vai precisar de um terceiro poder, do mesmo nível dos Estados Unidos e da China, que dê lugar a uma “hegemonia” tripartida, certamente mais estável e contida do que uma “hegemonia” dualista. Esta, sem travão, cairá facilmente no confronto directo.

IV

Só a Europa, pela agregação dos seus poderes nacionais numa unidade política, uma verdadeira União Europeia, pode constituir-se nesse terceiro poder. O novo mundo em formatação precisa de uma Europa Unida, falando para o Mundo com uma só voz e actuando no contexto internacional como uma só nação.

Isto, no interesse do mundo!

E, por feliz coincidência, também no interesse dos europeus. Hoje, a Europa, fragmentada, não tem voz audível, nem poder real para se fazer ouvir.

Com a Rússia, o Brasil, a Índia e mais meia dúzia de outros grandes países a crescer rapidamente, os países europeus serão, relativamente, cada vez mais pequenos e muitos (possivelmente, todos) tornar-se-ão verdadeiramente insignificantes.

A Europa de hoje tem inteligência, cultura, riqueza, traquejo nos negócios do mundo e população (em número e qualidade), que, no seu somatório, não sofre concorrência, mas, infelizmente, não tem unidade; os seus povos ainda não conseguiram interiorizar que têm a mesma matriz e que constituem, de facto, um só povo.

A “União Europeia” começou a ser construída há cinquenta anos, muito já foi feito, mas, passado meio século, ainda estamos longe de a ideia de unidade ter conquistado a maioria dos europeus. Ou, pelo menos, assim parece, tal é o medo dos políticos em ouvir a voz dos eleitores.

Nos últimos vinte anos a Europa não tem tido dirigentes à altura das suas necessidades e das suas responsabilidades. (Veja-se a incapacidade de explicar de modo convincente aos europeus o imperativo da União, a cobardia de não submeter o Tratado de Lisboa ao veredicto dos eleitores e o comodismo do expediente fácil de recorrer aos parlamentos nacionais para obter a sua aprovação.)

V

Se os dirigentes são cobardes, ou comodistas, ou incompetentes, ou timoratos ou, muito provavelmente, simples e desonestos “carreiristas”, é indispensável que o povo puxe por eles. E a maneira de puxar pelos políticos é, na próxima oportunidade de votar, votar em massa, votar consciente e, se a informação não chega e/ou a dúvida nos constrange, dizê-lo claramente através do nosso voto.

VI

Para que o seu voto fale aos nossos dirigentes políticos e os resultados das eleições para o Parlamento Europeu exprimam, com verdade e claramente, o que pensa o povo, siga, no exercício do seu direito de votar, o seguinte esquema:

 

Se encontrou candidatos do seu agrado,

VOTE NA RESPECTIVA LISTA

 

Se é a favor da criação da União Europeia mas os candidatos não lhe agradam

(porque não expuseram ou não expuseram claramente as suas ideias sobre o que é e/ou o que querem que seja a União Europeia, ou por qualquer outra razão)

VOTE EM BRANCO

 

Se é contra a construção da União Europeia,

VOTE INUTILIZANDO O BOLETIM DE VOTO COM DOIS TRAÇOS CRUZADOS (voto nulo).

 

Se lhe é indiferente que haja ou não haja União Europeia,

ABSTENHA-SE.

(Mas, por favor, NÃO SE ABSTENHA POR SIMPLES COMODISMO.)

 

[Se todos adoptarmos este esquema estaremos a ir muito para além de uma simples eleição de eurodeputados; a leitura criteriosa dos resultados poderá dar sinais significativos do sentir dos portugueses sobre que futuro querem para a Europa]

 

09 de Março de 2009

 

Joaquim Vicente Pinto

 

 

 

 

 

{novo texto / imagens}