|
EMÍDIO
RANGEL - RETRATO EM CORPO INTEIRO
Ainda
a Ministra da Educação; a qualidade de um apoiante.
2ª edição
1ª;edição,
24/03/2008, em
http://sol.sapo.pt/blogs/vicentepinto
A
marcha da indignação; O protesto dos professores
Em
08 deste mês de Março de 2008, o Correio da Manhã
publicou um texto do Sr. Emídio Rangel que é o retrato
em corpo inteiro do seu autor.
Reproduzo
esse texto mais abaixo.
Não
faço comentários porque (1) a inteligência e a honestidade
intelectual da maior parte dos leitores não precisará de
ajuda para “ler” o auto-retrato e ficar a conhecer o personagem, (2) hoje,
dia de Páscoa, não sinto disposição para mexer
em lixo.
Somente
algumas informações.
- O
texto do Sr. Rangel foi escrito antes da marcha dos professores ;
- O Sr. Rangel,
é evidente no texto, pressupôs que os participantes seriam
poucos ;
- A marcha teve uma participação
de cerca de dois terços dos professores deste país – de
noventa a cem mil, em um total de cento e quarenta e três mil;
- Muitos professores tiveram que percorrer
centenas de quilómetros, alguns cerca de um milhar, para estarem
no dia 8 de Março em Lisboa;
- É manifesto que o Sr. Rangel não
conhece o assunto de que fala;
- Os professores manifestaram-se
contra o formato da avaliação proposto pelo Ministério,
não contra a avaliação.
TEXTO
PUBLICADO PELO CORREIO DA MANHÃ
“HOLIGANS
EM LISBOA
Tenho
vergonha destes pseudo-professores que
trabalham
pouco, ensinam menos, não aceitam
avaliações
.
Eles
aí estão ‘em estágio'. Faz-me lembrar os hooligans
quando há uma disputa futebolística em causa. Chegaram
pela manhã em autocarros vindos de todo o País, alugados
pelo Partido Comunista. Vestem de preto e gritam desalmadamente.
Como diz um tal Mário Sequeira, em tom de locutor de circo,
“à maior, à mais completa, à mais ruidosa manifestação
de sempre que o País viu” .
Eu nunca tinha apreciado professores travestidos de operários
da Lisnave, como aqueles que cercaram a Assembleia da República,
nos anos idos de 1975, com os cabelos desalinhados, as senhoras
a fazerem tristes figuras, em nome de nada que seja razoável
considerar. Lembro-me bem dos meus professores. Não tinham
nada que ver com esta gente. Eram referências para os seus
alunos. A maior parte escolheu aquela profissão porque gostava
de ensinar. Talvez por isso eram todos licenciados e com um curso
(dois anos) de pedagógicas. Aprendi muito com eles e quando
dei aulas, no liceu e na universidade, utilizei muitas vezes os
seus métodos.
Estou-lhes grato para a vida inteira. Hoje as coisas são
bem diferentes, embora seja óbvio que estes manifestantes
são só uma parte dos professores. Felizmente ainda
há milhares de professores (talvez a maioria) que exercem
com toda a dignidade a sua profissão. A manifestação
é contra uma professora que agora é ministra. Uma
ministra sábia, tranquila, dialogante, que fala com uma clareza
tal que só os inúmeros boatos, a manipulação
e a leitura distorcida do que propõe podem beliscar o que
de boa-fé pretende para Portugal. Se reduzirmos à
expressão mais simples as suas pretensões tudo se
pode resumir assim :
– Portugal não pode continuar a pôr cá fora
jovens analfabetos, incultos e impreparados , como acontecia até
aqui.
– Os professores colaboraram com um sistema iníquo que permitia
faltas sem limites, baixas prolongadas sem justificação
e incumprimento dos programas escolares.
– Os professores não são todos iguais. Quero referir-me
àqueles que sem nenhuma vocação (com ou sem
curso Superior) instalaram um culto madraceirão que ninguém
punha em causa nem responsabilizava, mas que estava a matar o ensino.
Confesso que tenho vergonha destes pseudoprofessores que trabalham
pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações
e transformaram-se em soldados do Partido Comunista, para todo o
serviço. Maria de Lurdes Rodrigues é uma ministra
determinada. Bem haja pela sua coragem. Por ter introduzido um sistema
de avaliação dos professores, por ter chamado os pais
a intervir, por ter fechado escolas sem alunos, por ter prolongado
os horários e criado as aulas de substituição,
por ter resolvido o problema da colocação dos professores,
por ter introduzido o Inglês, por levar a informática
aos lugares mais recônditos do País. Estas entre outras
medidas já deram frutos. Diminuiu o abandono escolar, os
métodos escolares estão a criar alunos mais preparados,
os graus de exigência aumentaram. O PCP pode usar a tropa
de choque que agora arranjou para enfraquecer o Governo e utilizar
as suas artes de manipulação e demagogia até
a exaustão. Mas creio que a reforma tem de se fazer, a bem
do País. É absolutamente nítido que os professores
não têm razão. E os estúpidos do PSD
que se aliaram ao PCP perderam o tino de vez, porque Portugal não
pode parar mais. Espero ver Luís Filipe Menezes à
cabeça da manifestação contra os interesses
do País. |
Emídio
Rangel” |
23
de Março de 2008
J.
Vicente Pinto
{novo texto / imagens}
|