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Entrevista a MADELEINE ALBRIGH, COM DUAS AFIRMAÇÕES MUITO IMPORTANTES
Madeleine Albright deu uma entrevista a Teresa de Sousa, que foi publicada no Público de hoje.
I
Madeleine Albright, que foi secretária de Estado de Bill Clinton, é uma mulher notabilíssima, que chegou aos Estados Unidos com a idade de 11 ou 12 anos, dos quais cerca de metade passados na Inglaterra, obteve a nacionalidade americana aos 20 e foi secretária de Estado aos 60. É um exemplo vivo do espírito de integração de imigrantes nos Estados Unidos da América, que convive com a prática de uma imigração controlada.
Teresa de Sousa, redactora principal da secção Mundo, do Público, é uma jornalista que leio com prazer e proveito e que sinceramente admiro.
II A entrevista começa com uma espécie de introdução em que Teresa de Sousa se excede um pouco no uso da sua imaginação.
Justifico-me.
Diz Teresa de Sousa falando de Madeleine Albright:
“ Discutia em servo-croata com o líder Slobodan Milosevic durante a tremenda crise do Kosovo. Porque nasceu na Checoslováquia, em 1937, filha de um diplomata de origem judaica colocado em Belgrado antes da guerra. Depois de Munique e da partição do seu país, foi em Inglaterra que a família encontrou refúgio.”
Comentário:
III
Li a entrevista com grande atenção. Gostei bastante mais das perguntas do que das respostas. Estas pareceram-me um chorrilho de banalidades, embrulhadas numa boa dose de presunção, com duas afirmações factuais de enorme importância – uma, que parte do mundo não quer ouvir, ou porque lhe estraga o negócio ou porque lhe prejudica os preconceitos políticos que procura impingir, outra, porque a maior parte do mundo a desconhece.
Quanto à presunção:
“Esta é a minha convicção pessoal porque – quero frisá-lo – não represento ninguém a não ser a mim própria.”
“Na minha perspectiva – e tenho de voltar a dizer, de forma clara, que não falo em nome da Administração Obama – penso …”
“O que ainda não contemplo no meu livro é precisamente a melhor forma de lidar com a crise financeira mundial.”
Quanto às afirmações factuais de grande importância:
“Temos de encontrar forma de atenuar os aspectos negativos da globalização, que, para mim, se traduzem no aumento crescente do fosso entre ricos e pobres.”
“Também tento explicar um pouco do Islão, porque há pessoas que pensam que é uma religião monolítica, que não é. Como o não são o cristianismo ou o judaísmo.
A meu ver, estas são as afirmações mais importantes da entrevista e, só por si, podem justificá-la.
Lamento que o Público não tenha sabido dar-lhes destaque.
20 de Julho de 2009
J. Vicente Pinto jotap@sapo.pt www.favelaocidental.com {novo texto / imagens}
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