PRIVATIZAÇÃO DA PORTUCEL

AS PERSONAGENS

(EPÍLOGO DO PRIMEIRO EPISÓDIO)

I

O 1â episódio desta 2Ÿ fase da privatização da Portucel encerrou com uma vitória para o país.--.a indústria da pasta e do papel pode continuar a desenvolver-se em Portugal

A privatização regressou ao ponto de partida; teremos um 2â episódio.

Inevitavelmente, novos actores surgirão em cena!

Alguns dos actuais permanecerão, mas a proeminência vai mudar de mãos!

 

II

Para retratar as posições das personagens principais no fim deste primeiro episódio façamos um balanço sumário do desempenho e das respectivas consequências.

Assim:

 

Ministro da Economia

O Senhor Ministro da Economia defendeu, para além do razoável e até ao limite das suas forças, primeiro, um modelo de privatização dificilmente exequível e, depois, o projecto do Sr. Eng. Paulo Fernandes (Cofina/Lecta) manifestamente contrário aos interesses do país e aos critérios expressos na Resolução do Conselho de Ministros.

Foi vencido, na Assembleia Geral pelos pequenos accionistas que se recusaram a aderir às suas teses, e por uma mão invisível (deus, diabo ou humano!) que o impediu de montar uma operação de compra das acções da Sonae.

A nomeação do Sr. Eng. Bissaia Barreto para o Conselho de Administração da Portucel foi, a menos que lhe tenha sido imposta, um erro fatal.

Creio que o Senhor Ministro não conseguirá facilmente recompor-se deste desaire, e, principalmente, ficou marcado pela maneira como conduziu o processo.

 

Senhor Dr. Jorge Armindo

Jogou todos os seus trunfos na luta pela imposição da solução Cofina/Lecta. Perdeu.

O seu período de ouro na Portucel acabou.

 

Senhor Eng. Belmiro de Azevedo

O Sr. Eng. Belmiro de Azevedo foi visto como um vencedor.

Duvido que seja uma visão correcta da situação. Na verdade, não ganhou; conseguiu não perder, o que já foi excelente, e, principalmente, manteve uma postura que transmitiu uma imagem, de maturidade, de segurança, de domínio de si, que o prestigiou.

Dadas as circunstâncias, a vitória estaria na venda das suas acções. (Admito que a laracha de "vender, ou não vender, a mãe…", o tenha prejudicado).

 

Senhor Eng. Paulo Fernandes

O Sr. Eng. Paulo Fernandes gizou um plano brilhante, para o qual conseguiu poderosos apoios que pareciam garantir-lhe o sucesso.

Infelizmente para ele, havia parâmetros que, mesmo que os tivesse previsto, não podia dominar – a contenção e habilidade do Sr. Eng. Belmiro de Azevedo, a reacção dos pequenos accionistas, a enorme notoriedade que todo o processo adquiriu e que o tornou anormalmente relevante do ponto de vista político, as reacções negativas que vieram a público.

Mas previu que a presença do Sr. Eng. Bissaia Barreto no Conselho de Administração da Portucel lhe era profundamente adversa – e reagiu, com prontidão e violência mas sem sucesso.

O Sr. Eng. Paulo Fernandes foi o grande perdedor; escapou-se-lhe uma oportunidade única de entrar na antecâmara dos grandes.

 

Senhor Eng. Bissaia Barreto

O Sr. Eng. Bissaia Barreto foi o grande vencedor de todo este processo.

Ao declarar que não podia votar um parecer favorável à operação de privatização que o Senhor Ministro das Finanças e o Sr. Dr. Jorge Armindo se propunham realizar com o consórcio COFINA/LECTA, por falta de informação suficiente para fazer uma avaliação fundamentada, lançou no prato da balança, contra a referida operação, (e, naturalmente, contra os seus defensores) todo o peso do seu prestigio de profundo conhecedor da realidade nacional e internacional do sector e da notável obra realizada ao longo de duas dezenas de anos.

Com a sua atitude, claramente assumida, veio avalizar a posição dos que se opunham aos desígnios do Senhor Ministro da Economia e do Sr. Dr. Jorge Armindo.

29-12-2003

Vicente Pinto