ESCOLA E DELINQUÊNCIA

 

DELINQUENTES – Os de hoje, estiveram ontem na ESCOLA ; os de amanhã, estão lá hoje!

 

 

I

Verídico, à laia de introdução:

 

Da janela do meu escritório vejo o ponto de confluência de três ruas e de sessenta a setenta metros de cada delas.

 

O trânsito automóvel nestas ruas é intenso; passam por aqui diariamente milhares de pessoas, muitas atravessam as ruas; há automóveis estacionadas ao longo de todos os passeios.

 

Durante anos houve um intenso conflito entre automobilistas e peões, que disputavam o direito de utilizar a via pública; uma vez ou outra havia buzinadelas, insultos e exclamações soezes eram frequentes; às vezes aparecia um polícia e os dois grupos em luta tratavam-se com um pouco mais de civismo e a desordem era menos intensa.

 

Há um ou dois meses, julgo que no âmbito da “campanha das passadeiras” do Sr. presidente da Câmara surgiram pintadas no chão duas passadeiras para peões.

 

E o milagre deu-se.

 

A quase totalidade dos peões, sem que ninguém o impusesse , passaram a atravessar as ruas nas passadeiras, a quase totalidade dos automobilistas passaram a respeitar os direitos dos peões e, na zona das passadeiras, deixaram, com raras e esporádicas excepções, de estar estacionados automóveis.

 

O civismo que antes parecia não existir revelou-se – parece que estamos noutra terra e com outra gente.

 

É certo que ficou um pequeno número residual de transgressores mas também é certo que quando há um polícia naquela pequena zona, nenhum condutor estaciona em cima da passadeira e são raros os peões que atravessam fora das baias.

 

Não faço comentários. Que cada um tire as suas conclusões!

 

II

 

Há neste momento nas prisões portuguesas dez a doze mil pessoas, das quais mais de três quartos são homens. Apesar de muitos delinquentes escaparem à justiça, há muitas dezenas de milhares de pessoas que já passaram pela prisão.

 

Mas é seguro que a grande maioria dos delinquentes também passaram pela escola ! Dito de outra maneira: em cada ano entram para a escola algumas centenas de potenciais delinquentes, na sua grande maioria do sexo masculino.

 

Pense nisto!

 

Os nossos pedagogos e as nossas autoridades escolares recusam-se a pensar – no mundo deles só nascem pombas brancas!

 

III

 

Considero que a escola tem a obrigação de fornecer ensino e promover a aprendizagem, e, além disso, de contribuir para a formação do carácter dos seus alunos.

 

A escola tem a obrigação de ajudar a formar cidadãos íntegros e responsáveis.

 

Ainda posso compreender, mas não aceitar, a posição dos que acham que a escola tem que fornecer ensino de qualidade e nada mais, mas desde que sejam rigorosos e competentes na prossecussão do seu objectivo.

 

Não posso compreender nem aceitar que pelo seu laxismo, pela sua pusilanimidade, resultante de puro comodismo ou fundamentada em pedagogias delirantes, (como foi, e, infelizmente, ainda é, a pedagogia da “escola dos afectos”), a escola pública contribua para a deformação do carácter dos seus alunos.

 

E pergunto:

 

Em que medida a escola pública, que durante doze anos educa jovens para a impunidade, empurra portugueses para a irresponsabilidade e para a delinquência?

 

09 de Março de 2008

 

J. Vicente Pinto

{novo texto / imagens}