ÉTICA

 

”

FRANCISCO CAPELO – DISCURSO DE FREI TOMÁS

 

 

 

 

 

NOTA PRÉVIA:

 

O Sr. Dr. Francisco Capelo foi o criador e proprietário da colecção de artes decorativas que veio a constituir o Museu do Design instalado no Centro Cultural de Belém (1999). Esta colecção foi adquirida em 2002/03 pela Câmara Municipal de Lisboa, por iniciativa do seu presidente, Sr. Dr. Santana Lopes.

 

O Sr. Dr. Francisco Capelo foi consultor de arte do Sr. José Berardo durante anos; a Colecção Berardo é em grande parte, diz-se, constituída por opções suas.

 

O Sr. Dr. Francisco Capelo também faz política, tendo sido um participante activo na candidatura do Sr. Prof. Carrilho à presidência da Câmara Municipal de Lisboa.

 

O Sr. Dr. Francisco Capelo é uma figura pública influente.

 

 

 

 

O DIZER…

 

 

TEXTOS DA AUTORIA DO SR. DR. FRANCISCO CAPELO

 

( publicados na obra Museu do Design, de 1999 (ano da

inauguração do Museu)

 

 

A determinação de doar a Colecção

 

Nota – O autor refere-se à Colecção do Museu do Design, de sua propriedade, depositada no Centro Cultural de Belém ao abrigo de um protocolo celebrado

entre esta entidade e a Associação Design Moda


Início de citação

“ Assim, os objectos que integram o acervo do Museu do Design nunca tiveram por finalidade serem utilizados na minha vida privada e subjacente ao seu depósito junto ao Centro Cultural de Belém existe desde j á a vontade e a determinação de proceder à sua doação . ” Fim de citação

 

Nota – No texto original a palavra doação não está evidenciada

.

 

Discurso do amor patriótico e de exaltação do acto de doar, dirigido às elites

 

Início de citação

“Não é segredo que este tipo de prática” ( a doação ) “ constitui caso relativamente raro em Portugal e sempre fiquei surpreendido por ver nas elites portuguesas , sempre ciosas de um certo e por vezes saudável nacionalismo, uma total incapacidade em materializarem de modo prático esse suposto amor a Portugal legando às instituições culturais do nosso país os testemunhos necessários à informação e cultura das novas gerações. Aquilo que se detém gira na esfera do privado e só raramente se sente enquanto obrigação e dever ético contribuir para o património colectivo,


Por outro lado, tive a sorte de aprender cedo que a generosidade é o gesto que mais e melhor contribui para o estabelecimento e aprofundamento das relações com os outros e estas relações que se vão ao longo da nossa vida construindo são para mim o grande e principal contributo para a minha razão de existir na alegria e na felicidade . Tornar desde já pública a minha intenção tem ainda a vantagem em cortar de imediato as implicações sempre limitadoras da propriedade, tanto mais que é minha convicção e guia dos meus actos e decisões que o que se possui, por esta ou aquela razão, no decorrer da nossa vida, não só não nos pode acompanhar como, se aquilo que se reuniu tem algum valor, deverá regressar e ser colectivamente usufruído pela comunidade onde nascemos e vivemos.


Tem sido minha preocupação e fonte organizadora da minha energia dotar o meu país e sobretudo a sua capital, Lisboa, dos equipamentos de natureza cultural imprescindíveis para fazerem desta cidade um espaço de cultura para os que nela vivem e de destino desejado para aqueles que nos visitam.


Acredito também que a cultura é a única esfera das nossas sociedades onde os princípios egoístas da utilidade e da força, que dominam e regulam o funcionamento da economia e a governação das sociedades, podem ser substituídos pelos da criação e da troca entre iguais. O cultural é o único espaço do social onde o fazer humano mais está liberto, onde a sanção que ameaça menos capacidade tem de impor a standardização , a regularidade dos comportamentos.


Num tempo onde a informação disponível é, sobretudo, difundida pelos chamados meios de comunicação de massas, os quais se regem pela lógica empobrecedora do menor denominador comum, pelo fomento de atitudes onde a im agi nação dá lugar violência e à irresponsabilidade e, no extremo oposto, onde a invasão das esferas privadas pelo computador e pela lnternet , favorece o desenvolvimento de falas tribais entre as pessoas entretanto tornadas seres solitários, os Museus, à semelhança da Escola, devem ser capazes de ajudar as pessoas a adquirirem e desenvolverem o gosto pela descoberta das suas capacidades criadoras. Fim de citação

 

Nota – No texto original não há palavras sublinhadas

 

… E O FAZER

 

A cambalhota

 

Em 2003 , o Sr. Dr. Francisco Capelo vendeu a sua Colecção, que constituía o acervo do Museu de Design, por 6.666.666.00 euros, à Câmara Municipal de Lisboa.

 

 

06 de Junho de 2006

 

 

J. Vicente Pinto

 

 

 

 

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