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FUNDAÇÕES
ou centros “Off shore" cá dentro?
Gostei
de assistir ao Prós e Contras de 29 de Outubro p.p.. Não
pelo tema, do qual não esperava nada de substancial, mas pelos
acontecimentos imprevistos, um dos quais é motivo para este texto.
1º
acontecimento:
Admirei
a perspicácia e ousadia da regente da sessão, que tendo
percebido que dali não resultava nada, optou por dar preferência
ao espectáculo em prejuízo do debate, não cumprindo,
assim, o seu compromisso elementar com os telespectadores
Em
circunstâncias normais eu não ficaria nada satisfeito e pediria
a devolução do “preço do bilhete”, mas achei o espectáculo
tão interessante que dei por bem empregado o tempo que gastei.
2º
acontecimento:
Foi
um prazer ver Berardo a mentir, consciente ou inconscientemente – todos
sabemos que se diz disléxico, o que, infelizmente, nos deixará
sempre na dúvida sobre quem é que está a falar, se
ele se a sua dislexia – com inteiro à-vontade e sem hesitações,
mesmo sabendo que estava a falar para dezenas ou centenas de milhares
de portugueses.
Não
vou entrar em pormenores porque o leitor pode ver esses pormenores em
“Ontem, o Sr. Comendador Berardo mentiu” e em “Prós e Contras,
entrada de leão…saída às arrecuas”.
3º
acontecimento:
Este
acontecimento é, na minha opinião, verdadeiramente importante
e merece ter repercussões profundas e duradouras.
Apertado com afirmações e insinuações sobre
más práticas dos bancos (ou do deu banco?!), Fernando Ulrich,
presidente do BPI, intimou Berardo a que na sua Fundação
(a da Madeira) fosse pelo menos tão transparente quanto os bancos
já são.
Os
banqueiros são normalmente muito comedidos.
Para
que Fernando Ulrich atacasse Berardo, tão frontalmente e com tanta
insistência e num ponto tão sensível, tinha que estar
verdadeiramente irritado.
E
estava, certamente; e com razão.
Se
as FUNDAÇÕES vivem envolvidas numa teia de protecções
que lhes permite actuar por detrás de uma cortina de fumo, a situação
é muito grave.
Se,
além disso, conseguem, sem incomodo, actuar à margem da
lei, estamos, de facto, numa situação alarmante – pois há
muitas fundações com importante património e que,
além disso, fazem um elevado volume de operações
comerciais, tem uma actividade notável como investidores e negociantes
de partes sociais, em suma, são grandes operadores económicos
e financeiros. Sem sujeição a uma adequada fiscalização
e sem transparência na sua actuação, essas fundações
podem tornar-se verdadeiros centros “off shore”instalados cá dentro.
As
fundações não podem ser menos fiscalizadas nem ter
um regime legal mais frouxo do que as empresas da mesma dimensão,
observando-se, naturalmente, as especificidades próprias.
Este
episódio do Prós e Contras de 29 de Outubro, pelo insólito
de ter como interveniente um banqueiro, inteligente, capaz, informado
e discreto, não pode deixar de ser considerado um grito de alerta
que, pelo facto de ser inesperado e, possivelmente, involuntário,
merece redobrada atenção.
E
a situação é tanto mais importante e urgente quanto
é certo que … as fundações nascem como cogumelos!
Esta
querela que se desenrolou na televisão tocou-me
particularmente
porque já há tempos, em face da dificuldade em obter informação
básica sobre a Associação Colecção
Berardo, tinha aberto um dossier sob o tema “fundações e
associações”, e havia uma semana tinha estado a analisar
o caso da Fundação Amália Rodrigues.
Voltarei
ao tema fundações.
15
de Novembro de 2007
J.Vicente
Pinto
SE
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acha que é mais um pouco de lixo a poluir a net,
recomende-o
aos seus i nimigos …
EM
qualquer caso, o
www.favelaocidental.com
fica-lhe
muito obrigado pela visita! ...
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