Leia também,

A guerra do Banco Comercial Português – A penúltima batalha

Guerra do BCP – A guerrilha

Guerra do BCP – O escândalo Vasconcelos

E, complementarmente,

Compra de direitos de voto, e

Accionistas de referência

 

 

 

 

GUERRA DO BCP

JOSÉ MANUEL FERNANDES “PASSOU-SE”

 

 

Leio com frequência os editoriais do Sr. José Manuel Fernandes, director do Publico.

Ontem, 17, mais uma vez. E pasmei!

 

 

Transcrevo:

 

“ Do ponto de vista do banco (BCP) , dos seus clientes e dos accionistas, mas também dos seus funcionários e do país, o mais importante quebrou-se: a relação de confiança.”

……………

“…Jorge Jardim Gonçalves tem obrigação de saber que, como à mulher de César, não lhe basta ser honesto: não pode restar na opinião pública qualquer réstea de dúvida de que é honesto…”

……………

...e tem de compreender que por mais importante e nobre que julgue ser a sua missão, não tem mais condições para permanecer o homem forte do banco, mesmo que de forma indirecta”

 

”Não se imagina que a divulgação pública dos documentos que o comprometem tenha ocorrido por acaso. Ou seja alheia aos interesses dos seus adversários. E se alguém não tem moral para apontar o dedo seja a quem for, como é o caso de Joe Berardo – alguém a quem dificilmente se compraria um carro em segunda mão - , tudo isso já pouco conta.”

…………..

“E que se nos próximos dias tudo continuar como está, o melhor que pode acontecer ao BCP é ser alvo de uma OPA. Venha ela de onde vier, incluindo de bancos não portugueses.”

 

 

Não posso acreditar que José Manuel Fernandes estivesse em condições normais quando escreveu o que acima reproduzo.

 

Primeiro:

Considera que Jardim Gonçalves não é honesto, e dita a sentença: saída imediata de Jardim, sejam quais forem as consequências;

 

Atenção – o homem ainda está em julgamento e se todo este imbróglio não for resolvido com um mínimo de competência, as consequências são absolutamente imprevisíveis

 

Segundo: 

Considera que Joe Berardo é um vigarista de baixo coturno – “alguém a quem dificilmente se compraria um carro em segunda mão”.

 

Atenção – se não houver competência (na qual incluo a ponderação dos interesses do país) na resolução do delicadíssimo problema que é hoje o BCP, há uma boa probabilidade de que o banco caia sob influência dominante de Joe Berardo, negociante de participações sociais, que, como já se verificou, tem boa audiência, directa ou indirectamente, junto do Senhor Primeiro Ministro

 

Terceiro:

Uma OPA por um banco estrangeiro é considerada, com naturalidade, como uma via para resolver o actual problema BCP

 

Atenção – O BCP é o maior banco privado português e uma referência nacional. Nesta fase, a hipótese de uma OPA vinda do estrangeiro, ou de soluções que conduzam na sua direcção, só deve ser considerada para vermos como poderemos evitar que aconteça.

 

 

 

18 de Outubro de 2007

 

 

J.Vicente Pinto

 

 

 

{novo texto / imagens}