VÁRIA

 

 

IMIGRAÇÃO

 

A COR DO ÓDIO, de CARLA MACHADO

(A COR DO ÓDIO DE CARLA MACHADO)

 

 

NOTA PRÉVIA :

A Senhora Carla Machado é professora universitária e colunista do Público: Em 15 de Junho de 2006 escreveu um artigo intitulado “A cor do ódio”.

 

CITAÇÃO, DO REFERIDO ARTIGO:

“Nada de novo também na forma como este discurso (o discurso contra os imigrantes) perpassa todos os níveis sociais, desde as diatribes ostensivamente racistas da extrema-direita às mais tímidas (mas menos racistas?) vozes que repetem a necessidade de “controlar” ( eufemismo para dizer deixar entrar quem interessa às forças económicas) as fronteiras.”

 

Nota.- No original não há texto em bold

 

 

Exma. Senhora,

 

 

Não sou racista.

 

Isto é, não me considero racista, ainda que pelo seu catecismo eu deva ser um racista daquela estirpe que não tem coragem de se afirmar publicamente como tal, mas que com a timidez das fracos e dos hipócritas, vão repetindo a necessidade de se “controlar” as entradas de imigrantes.

 

De facto, eu acho que a entrada de imigrantes deve ser controlada de forma a “garantir” a todos os que entram uma expectativa razoável de encontrarem trabalho.

 

Por outro lado, o título e o texto do seu artigo aponta aos portugueses, com a provável excepção da sua pessoa, a qualificação genérica de racistas. Parece-me abusivo – há portugueses racistas, mas há muitos mais que o não são!

 

 

O último período do seu artigo reconciliou-me consigo. Quando diz ”… dinheiro que falta e cuja ausência dá lugar a zonas nas quais nenhum de nós sobreviria mais do que 10 minutos sem ter vontade de agredir alguém…” persinto que é uma pessoa mimada, temperamental, talvez um pouco destemperada.

 

MAS …

 

Acredito sinceramente que o seu artigo não é um produto lançado no mercado para ter mais uns euros de receita. Acredito que o seu artigo é a expressão sincera do seu pensamento sobre a matéria tratada e, além disso, é, também, a expressão genuína do seu sentir.

 

Estas minhas convicções encorajam-me a fazer-lhe um pedido.:

 

Há dezenas de imigrantes que não podem comprar um tecto, mesmo muito modesto, porque não têm um fiador que assuma junto dos bancos a responsabilidade de pagar as prestações em caso de impossibilidade de honrarem os seus compromissos.

 

 

Atrevo-me a pedir-lhe que passe das palavras, que rendem dinheiro, aos actos, que não podem render mais que a satisfação de ser coerente e de dar público testemunho da sua probidade intelectual, e seja fiadora de um destes imigrantes. Contacte-me; eu servirei de intermediário.

..

 

 

Com os meus melhores cumprimentos, sou,

 

Atentamente,

 

15-06-2006

 

 

Joaquim Vicente Pinto

 

 

P.S. – Como não conhece o site www.favelaocidental.com , vou enviar-lhe este texto, pelo correio , para o Público