MINI

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA FUNDAMENTAL E DEFINIVA

 

 

I

O MINI fez cinquenta anos! O motor transversal, idem! Os carros de tromba curta, também

 

 

II

 

Tive MINIS durante cerca de 30 anos. Com um deles fiz mais de 200 000 klm, em cinco anos, sem que o motor tenha sido sujeito a qualquer reparação. Com outro fiz 10 000 klm num mês por uma grande parte da Europa, incluindo quatro países em que não havia minis, nem qualquer peça, nem assistência especializada; nesta viagem, sempre que as estradas o permitiam, a velocidade foi mantida entre os 110 e os 120 km/hora (120 era a velocidade máxima do carro).

 

III

 

Visto de fora, o MINI era um caixote montado sobre quatro rodas. Esta era uma das suas virtudes – todo o volume do carro era aproveitado para levar passageiros. As especificações falavam em quatro. Era verdade, desde que dois fossem adolescentes, ou todos pouco volumosos.

 

Os bancos da frente tinham as costas verticais e obrigavam os ocupantes a uma posição forçada e incómoda. Mas, felizmente, a estrutura das referidas costas era feita de aço suficientemente macio para permitir que um homem medianamente possante, sentado no banco de trás e puxando para si a parte superior das costas, conseguisse verga-las colocando-as num ângulo adequado a uma viagem com suficiente comodidade, desde que os passageiros do banco de trás não existissem ou os da frente fossem sádicos sem coração.

 

Os acessos no compartimento do motor eram difíceis, por exíguos.

 

Viajando sob fortes chuvadas a bobine ficava encharcada. No Inverno viajei milhares de quilómetros com a bobine envolvida numa folha de plástico. Mas, para um carro com um comprimento de pouco mais de três metros, a sua dimensão interior era inexcedível. Enfim, uma obra verdadeiramente notável!

 

VI

 

O seu comportamento em estrada, excelente!

 

Teve um filho, o Cooper, que ganhou duas ou três vezes no Circuito de Le Mans. Inconcebível Inacreditável!

 

VII

 

Tudo o que fica dito é muito mas não teria evitado que o MINI estivesse hoje morto e enterrado, como acontece com outros carros e tantas outras inovações automobilísticas notáveis ocorridas em cento e tal anos de indústria automóvel.

 

O que tornou o MINI e ISSIGONIS, seu autor, imortais, pelo menos enquanto houver indústria automóvel, estava oculto sob o seu capot – o motor, que também integrava a caixa de velocidades, colocado transversalmente.

 

A Citroen tinha construído o seu primeiro carro com tracção e motor à frente em 1933. Em 1959 persistia teimosamente, mas, apesar de ter construído magníficos carros não tinha seguidores.

 

O motor transversal deu resposta às objecções técnicas dos opositores da tracção à frente que acabaram por conceder que para “carrinhos” talvez sirva mas para “carros” nem pensar.

 

A Citroen, em 1974, apresentou o CX2000, de 1985 cm3, com motor transversal.

 

Hoje, muito provavelmente, mais de 50% dos carros fabricados no mundo têm tracção e motor (transversal) à frente. E a quota continua a crescer!...Para maior glória de Alec Issigonis!

 

 

09 de Maio de 2009

 

J. Vicente Pinto      roquevicente@gmail.com      www.favelaocidental.com

 

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