NOAM CHOMSKY – A PROPOSTA INDIGENTE PARA O MÉDIO ORIENTE

 

 

 

I

 

O Courrier Internacional de Agosto publica excertos de um texto de Chomsky.

 

O último parágrafo, muito interessante, diz:

 

“Em vez de dar passos práticos para reduzir a ameaça nuclear, os Estados Unidos empenham-se no reforço do controlo sobre as regiões petrolíferas vitais do Médio Oriente. Pela violência, se outros meios não resultarem. É compreensível e mesmo razoável, à luz da doutrina imperial vigente em Washington.”

 

É interessante, mas não espanta ninguém. É Chomsky

 

O penúltimo parágrafo é muito mais interessante! Como podemos verificar:

 

“Ninguém no seu perfeito juízo quer que, nem o Irão nem qualquer outro país desenvolva armas nucleares. Para eliminar a ameaça não seria preferível criar uma zona livre de armas nucleares no Médio Oriente? Na conferência do TNP [Tratado de Não -Proliferação] , na ONU, em Maio, o Egito, representante do Movimento Não Alinhado, propôs o começo destas negociações para 2011, como tinha sido acordado com o Ocidente na revisão do TNP em1995. Washington concorda formalmente, mas insiste em excluir Israel do acordo.”

(Negrito, meu)

 

II

 

Chomsky acha que os Estados Unidos não estão a dar passos práticos para reduzir a ameaça nuclear no Médio Oriente.

 

Comentário - Não ponho em causa esta afirmação. Não tenho informação suficiente, mas, pelos resultados, é altamente provável que Chomsky tenha razão.

 

Mas Chomsky não se fica por aqui – propõe os “passos práticos” que resolveriam a situação: “criar uma zona livre de armas nucleares no Médio Oriente”.

 

Comentário - Excelente ideia? Não, seria uma excelente ideia se não fosse uma excelente banalidade! Uma banalidade indigna de uma cabeça como a de Noam Chomsky.

 

Chomsky agarra-se a um bordão, infelizmente um bordão podre: - “ o Egito propôs, em Maio, na ONU, o começo destas negociações para 2011”.

 

Comentário - Nas circunstâncias (o acordado na reunião de 1995), o Egito, representante do Movimento Não Alinhado, não podia, “por dever de ofício” deixar de fazer tal proposta; (simples actuação de circunstância)

 

 Chomsky acrescenta:” Washington concorda…”

 

Comentário - É evidente que os Estados Unidos não podem deixar de concordar (o Mundo está a olhar)

 

 

e Chomsky esclarece com ar crítico: “formalmente”

 

Comentário - Claro que não pode ser de outra maneira – Os Estados Unidos sabem que não tem força para impor nem argumentos para convencer os países implicados.

 

E, por fim, Chomsky lança a pedrada final: “os Estados Unidos Insistem em excluir Israel do acordo”

 

Comentário – Os Estados Unidos sabem (até eu sei!) que esta é matéria em que Israel não pode ceder. É irrelevante se é certo ou errado. Se Israel ainda existe deve-o à posse da bomba atómica, que dá suporte insubstituível à sua firme determinação. Sem bomba atómica Israel já era! Talvez daqui quinze ou vinte anos a situação seja diferente… 

 

III

 

Pergunto-me: o que é que Chomsky nos quis dizer? Não acredito quisesse, somente, dizer que ainda existe.

 

 

 

 

26 de Setembro de 2010

 

 

Joaquim Vicente Pinto     jotap@sapo.pt        www.favelaocidental.com

 

 

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