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O
BANCO DE PORTUGAL NO CASO DO ANGOLA E METRÓPOLE
Nota
prévia :
Banco
Angola e Metrópole banco fundado,
em 1925 , por Alves dos Reis, um dos mais notáveis
falsificadores, conhecidos, do século XX.
Do
Público,
caderno
P2, página 10,
de
20 de Janeiro de 2008 :
Alves
Reis, o falsificador patriótico
Francisco
Teixeira da Mota,
, acaba de relançar a biografia de uma personagem
que pôs Portugal nas primeiras páginas dos jornais de todo
o mundo.
..
António
Ferro
Acompanhou
o julgamento pelo Diário de Notícias e na edição
de 11 de Maio (1930) relatava
a confissão de Alves Reis numa extensa e criativa crónica
Alves
Reis é um criminoso. Todos nós o sabemos. Sabe-o ele, melhor
que ninguém.
.
Alves
Reis conta, depois , (no
tribunal) como fez a burla, como encontrou as escalas,
como falsificou as assinaturas, como descobriu que não
havia controlo no Banco de Portugal (
) .
(fim
de transcrição)
Nota:
Nas duas últimas linhas, negrito e sublinhado meus .
PARA
QUEM NÃO SAIBA
Artur
Virgílio Alves dos Reis foi o fundador do Banco Angola
e Metrópole.
Para
obter o capital necessário, que não tinha, montou um esquema
de extraordinária audácia e inteligência.
Conseguiu
convencer a empresa inglesa fabricante de notas para o Estado Português,
de que era um emissário do governo para a encomenda de uma segunda
emissão de notas, repetindo os números
de notas já anteriormente emitidas . E, mais, que as notas
lhe fossem entregues.
O
sucesso da operação confirma (1) a extraordinária
inteligência do plano e a extraordinária capacidade de Alves
dos Reis para o concretizar e (2) o descrédito a que tinha chegado
o governo de Portugal, para que o fornecedor considerasse plausível
uma encomenda deste jaez.
Pouco
cauteloso no aproveitamento do sucesso da operação, Alves
dos Reis deu demasiado nas vistas, os jornais começaram a falar,
e acabou por ser apanhado, numa investigação do Banco
de Portugal ; esteve preso cerca de quatro anos
aguardando julgamento e foi, finalmente, julgado e condenado em 1930.
Houve,
seguramente, quem, sem sofrer consequências, tenha ganho com a operação.
(Lembro-me
de ter ouvido um trabalhador rural contar, a meu pai, que andando, uns
anos atrás, com outros trabalhadores, a abrir covas para vinha
numa propriedade do Sr. X, a umas léguas dali, tinham encontrado
uma caixa cheias de notas e que, chamado o patrão, este se limitou
a mandar buscar uns litros de petróleo e ordenou que se queimasse
o achado ali mesmo, recomendando a todos bico calado, que aquilo não
valia nada.)
20
de Janeiro de 2008
J.
Vicente Pinto
{novo texto / imagens}
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