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OBAMA NA EUROPA – FÍFIA ou EM CASA DO NOSSO COMPADRE GRANDE FATIA AO NOSSO AFILHADO . . A primeira prioridade da União Europeia é construir-se; a dos Estados Unidos é reposicionar-se no mundo. . . I . Há dois dias em Praga, Obama aconselhou, publicamente, a União Europeia a admitir a Turquia, o que constituiria, além do mais, um sinal de abertura para os países islâmicos. . Transcrevo do Público palavras de Obama . “Os Estados Unidos e a Europa devem abordar os muçulmanos como irmãos, vizinhos e parceiros na luta contra a injustiça, a intolerância e a violência” . … a adesão de Ancara seria “um sinal importante” dado pela UE ao mundo muçulmano e uma garantia de que “a Turquia continua firmemente ancorada na Europa” (as versões da France Press e do Yahoo! Notícias Brasil – idênticas - são um pouco diferentes: sinal importante que serviria para “amarrar fortemente” a Turquia à Europa” . II . Obama é um fenómeno raro e é também uma esperança para os americanos e para o mundo. . Barack Obama é o presidente dos Estados Unidos da América. . Na Europa tem sido sempre recebido e aplaudido por uma poeira que facilmente se entusiasma e cujas posições são altamente influenciadas pelos seus preconceitos, que balizam os limites dos seus aplausos. Esses aplausos devem ter toldado um pouco a argúcia de Obama, o que o levou a um manifesto erro de perspectiva. . Este conselho aos europeus, a admissão da Turquia, representa uma manifesta fífia na execução da partitura que tem vindo a seguir com exemplar maestria. Obama tocou num ponto extremamente sensível – a construção da União Europeia. . A União Europeia política é uma necessidade vital para os países europeus, é mesmo uma condição necessária para que a Europa, como povo, mantenha uma posição nos negócios do mundo à medida do seu passado, da sua dimensão, do seu desenvolvimento económico, dos seus conhecimentos e saber acumulados e da qualidade do seu povo. Os europeus necessitam, e o mundo também, que a Europa sobreviva como um parceiro de primeira grandeza no mundo novo em acelerada formatação. . A Europa, a União Política Europeia, tem que estar na linha da frente, linha da frente constituída pelos Estados Unidos, e, dentro em pouco, pela China; aquela linha da frente em que dois são um perigo eminente e três podem representar um equilíbrio sustentável, ainda que instável. . A União Europeia já cresceu demais em número de países constituintes para que, com facilidade, possa ser consolidada com verdadeiro espírito de unidade de modo a apresentar-se como um corpo político, sincero e sem hesitações. . A Europa ainda está numa fase em que para uma parte dos países que hoje a constituem não passa de uma bandeira de conveniência. . Temos uma Europa aduaneira (União aduaneira), temos, dentro desta, uma Europa monetária (União monetária) mas não temos uma Europa política. Para termos uma Europa politica temos que criar uma “alma europeia”, isto é, temos que interiorizar que todos, sem perdermos a nossa pátria de origem, ganhamos uma nova pátria, a pátria europeia. . O conselho de Obama, a admissão da Turquia, no estado actual da construção da União Europeia política, pode constituir um obstáculo intransponível à concretização desta prioridade vital para a Europa e para o mundo. . III . Não excluo a hipótese de o conselho de Obama nada ter a ver com a União Europeia. As suas palavras destinam-se, exclusivamente, a ouvidos turcos. . Aceita-se como coisa circunstancial, ainda que não seja muito elegante “em casa do nosso compadre dar grande fatia ao nosso afilhado” . . 07-04-2009 . Joaquim Vicente Pinto jotap@sapo.pt www.favelaocidental.com
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