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OBAMA NA TURQUIA – A REINCIDÊNCIA JÁ NÃO PODE SER FÍFIA
1ª edição, em 12-04-2009
REPITO.A primeira prioridade da União Europeia é construir-se; a dos Estados Unidos é reposicionar-se no mundo.
I
No dia 7, escrevi aqui um texto sobre o conselho dado por Obama à União Europeia, no sentido de que esta devia admitir a Turquia como seu membro.
Ontem, li no Público online
"Quanto à adesão turca [à União Europeia], Obama respondeu [numa sessão com estudantes vindos de toda a Turquia] que não é por os Estados Unidos não fazerem parte da Europa que não têm uma palavra a dizer sobre o assunto."
Não tenho nenhuma razão que me leve a duvidar da veracidade da notícia que refiro. O que escrevo a seguir tem como base a convicção desta veracidade.
Rectificação em 14-04-2009. A notícia acima referida deturpa o que Obama disse.
Segundo tradução de Rui Tavares (Público), Obama teria dito:
“É verdade que os EUA não fazem parte da Europa e não nos cabe tomar uma decisão sobre a entrada da Turquia. Mas isso não me impede de ter opinião. Reparei que durante os últimos anos os europeus também não têm sido tímidos ao dar opiniões sobre o que os EUA deveriam ou não fazer. Não vejo mal nenhum em poder fazer o mesmo”.
Esta rectificação impunha-se. Não prejudica em nada o que digo a seguir.
II
Como qualquer outro cidadão do mundo, Obama é livre de emitir opiniões sobre qualquer tema que lhe venha à cabeça.
Mas Obama é o Presidente dos Estados Unidos da América, o que dá enorme peso a todas as suas opiniões. É de nosso interesse ouvir o que diz, são os Estados Unidos a falar pela sua boca, e é nosso dever, como europeus e quando as suas opiniões nos tocam, meditar sobre as posições que defende e dar-lhe as respostas que nos pareça serem adequadas, partindo sempre, até que se demonstre o contrário, do principio de que Obama fala de boa fé
Creio que seria de grande interesse para os Estados Unidos que a Turquia entrasse na União Europeia. E, principalmente, que entrasse na União pela mão dos americanos. Seria de interesse para os Estados Unidos na Europa e, principalmente, no mundo árabe e islâmico. Os Estados Unidos precisam tanto do mundo islâmico como os chineses dos países latinos da América.
Uns e outros precisam de se posicionar para o grande jogo do século XXI.
III
Actualmente temos uma Europa formatada como União Aduaneira e, para a maior parte dos seus membros, como União Monetária; temos países que entrariam com sinceridade numa União Política e outros, possivelmente a maior parte, para quem a União Europeia não passa de uma bandeira de conveniência
A Europa, constelação de estrelas de média e pequena dimensão e alguns asteróides apagados, deixará de ter o pouco peso que ainda tem nos negócios do mundo novo em formação, se não se constitui, com sinceridade, em entidade politica que tenha uma só política e fale para o exterior a uma só voz.
Infelizmente, o admirável povo europeu deixou-se submergir por uma camada de lixo e não conseguiu produzir dirigentes políticos à altura das necessidades do momento presente.
IV
A adesão da Turquia à União Europeia apresenta, para esta, algumas vantagens e graves inconvenientes; e impossibilita a criação, em tempo útil, de uma União Europeia política.
A posição de Obama quanto à entrada da Turquia na União Europeia só pode ter uma justificação – os Estados Unidos estão convencidos de que a Europa nunca se constituirá numa União política, mesmo sem Turquia.
12 de Abril de 2009
Joaquim Vicente Pinto roquevicente@gmail.com 2ª edição, 26-04-2009 {novo texto / imagens}
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