O ESPÍRITO SIMPLEX LANÇOU O MUNDO FINANCEIRO NO CAOS

 

 

A seguir à última Grande Guerra o mundo financeiro foi reestruturado e fortemente regulamentado e assim se manteve durante algumas dezenas de anos. Depois, gradual e insidiosamente, começou a fazer carreira a teoria de que a desregulamentação era uma condição necessária da via para a prosperidade económica e financeira da humanidade.

 

Os governos fizeram-se, por incompetência, estupidez ou interesses, os arautos da boa-nova. Tomaram à letra a nova verdade e deixaram a “besta” à solta. Não cuidaram dos perigos, e a “besta” desembestou acabando por partir os cornos contra a realidade.

 

Os simplexes são como uma poda com enxertia simultânea. Podem fortalecer a árvore ou destruí-la; depende da qualidade do operador. Os espíritos simples e voluntaristas pensam que “simplexar” é cortar. E desatam a cortar sem tom nem som; o fim é reduzir o peso, sem grande preocupação com as consequências Os avisados e competentes sabem que “simplexar” é uma tarefa complexa cuja finalidade é melhorar o sistema – mais eficiência, mais eficácia, maior segurança.

 

A desregulamentação, o simplex aplicado ao sistema financeiro internacional, conjugado com uma supervisão acomodada e permissiva, acabou no que estamos a viver – medo e desespero... E os Estados a assumirem o ónus de não deixar soçobrar o sistema … E os governos, como fez Sócrates há dois ou três dias, a gritarem que “as práticas no mercado financeiro têm que mudar”.

 

 

Se Deus ainda olha para este grande cão carregado de pulgas e carraças, que é a Terra, peço-lhe humildemente que nos ajude; as carraças também são filhas de Deus.

 

 

11 de Outubro de 2008

 

Joaquim Vicente Pinto          jotap@sapo.pt          www.favelaocidental.com

 

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