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O MENINO QUE PENSAVA QUE OS RICOS ERAM DE CHOCOLATE E OS POBRES FEITOS DE CACA
I
Há muito tempo conheci uma família da que tinha três filhos.
Encontrávamo-nos com alguma frequência e falávamos muitas vezes sobre as crianças – o tema era, normalmente, a educação e a formação das suas personalidades. Espantavam-se com o facto de, sendo, os pais, os mesmos e vivendo os três filhos no mesmo ambiente, tivessem personalidades tão diferentes. E perguntavam-se em que medida poderia o adquirido (educação) influenciar o inato (hereditariedade).
Aquela família tinha um genuíno empenhamento em fazer dos seus filhos cidadãos responsáveis, pessoas honradas, conscientes de que era seu dever defender os seus legítimos interesses mas dentro de uma estrita ética social e pessoal.
II
Um dia encontrei os pais, por acaso, na rua. Pareceram-me preocupados, convidaram-me para tomar um café com eles e, mal nos sentamos, desabafaram: Hoje, de manhã, ao pequeno-almoço, o Daniel (nove ou dez anos) saiu-se com esta, “os ricos são de chocolate e os pobres são feitos de caca”. Não compreendemos! De onde vem isto? Recusamo-nos a aceitar que venha da educação que lhe damos, mas também nos parece improvável que esteja inscrito na sua herança genética! De onde vem?...
III
A semana passada contei esta história em casa de uns amigos. A minha amiga Ana, activa e sagaz militante política, com a máscara cínica, que às vezes usa, e ar de poucos amigos, perguntou-me: o que queres insinuar com essa historieta!?
IV
A pergunta da minha amiga, que, na realidade, não se chama Ana, impõe-me alguns esclarecimentos:
1º- Esta história é verídica; não é uma historieta! 2º- O Daniel, não se chama Daniel, mas, também, não se chama Sócrates nem tem o nome de nenhum dos ministros do actual governo.
19 de Janeiro de 2007
J. Vicente Pinto {novo texto / imagens}
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