MIGUEL RELVAS, UM POLÍTICO INTELECTUALMENTE DESONESTO

 

 

I

 

Leio no Público de hoje:

 

Ontem … Relvas lembrou que “há muitos países na União Europeia, cito a Holanda, a Noruega, a Inglaterra que só têm 12 vencimentos” , ao contrário da “tradição dos países do Sul da Europa, que até se encontram em piores circunstâncias.”, sugerindo que os trabalhadores portugueses são uns felizardos porque tem os subsídios de férias e de Natal.

 

Em Portugal, no nosso esforço de querermos mostrar que o Estado é também um bom pai para quem trabalha, chamamos ao 13º mês subsídio de férias e ao 14º subsídio de Natal.

 

No caso dos trabalhadores ao serviço do Estado admito que este possa defender que o 13º e o 14º meses que lhes paga é um subsídio que lhes dá. Nós próprios poderemos mesmo afirmar, sem receio de válida contestação, que os outros vencimentos  que o Estado paga a um número não despiciendo dos seus trabalhadores seja também um subsídio, mas para a grande maioria dos funcionários públicos e equiparados não é nem nunca foi um subsídio; é a remuneração do seu trabalho.

 

Confirmemos:

 

Recorramos ao que diz o mais popular dos dicionários de língua portuguesa.

 

Dicionário da língua portuguesa, da Porto Editora:

 

Subsídio – auxílio pecuniário; quantias entregue pelo Estado, sem contrapartida directa, a empresas ou entidades.

 

Podemos concluir, sem interpretação abusiva, quando nos referimos a trabalhadores, que quando o governo, e todos os eventuais manipuladores sociais, fala em subsídio de férias e de Natal, está a sugerir que se trata de um auxílio pecuniário recebido pelo trabalhador sem qualquer contrapartida da sua parte, isto é, que se trata de uma prestação social.

 

De facto, estamos em face de uma grosseira manipulação da realidade.

 

 

 

Reproduzo a seguir um texto que editei, sobre este tema, neste mesmo site em 24 do corrente mês.

 

Como segue.

 

II

 

Férias pagas e subsídios de férias e de Natal não são prestações sociais. EM PORTUGAL, SÃO SALÁRIO!

 

Frequentemente, vejo nos jornais, estúpidos a fingir de inteligentes e inteligentes a fingir de estúpidos afirmando, compungidos, quanto lhes foi difícil explicar a estrangeiros esta extraordinária aberração portuguesa de os trabalhadores receberem catorze meses e só trabalharem onze.

 

Penso que, na verdade, os referidos plumitivos querem sugerir, pelo espanto dos seus interlocutores estrangeiros, que os trabalhadores portugueses são uns privilegiados.

 

Aqueles entalados cidadãos, parece que ainda não perceberam que esses recebimentos não são prestações sociais. São prestações (remunerações) pagas pelos patrões aos seus trabalhadores, custo das entidades empregadoras, privadas ou Estado.

 

Numa correcta apreciação, os trabalhadores não recebem catorze meses de salário por onze meses de trabalho, recebem, sim, o seu salário de onze meses de trabalho em catorze prestações.

 

Sem rigor matemático, podemos dizer que em Portugal os trabalhadores são obrigados a fazer uma poupança forçada para as férias (dois meses de salário) e outra para as despesas do Natal (um mês).

 

 

24 de Outubro de 2011

 

 

Joaquim Vicente Pinto          jotap@sapo.pt        www.favelaocidental.com

 

III

 

O corte pelo governo do “subsidio de férias” e do “subsidio de Natal” dos seus trabalhadores não tem nada a ver com férias ou com Natal.

 

O governo decidiu simplesmente reduzir os salários dos seus trabalhadores em 15% (por feliz coincidência reduzir os salários em duas prestações – férias e Natal - dá 14.3%).

 

Toda a gente sabe que a produtividade dos trabalhadores do Estado é baixa e, em muitos casos baixíssima. Há trabalhadores a mais, porque foram admitidos não para satisfazer necessidades dos serviços mas para satisfazer a necessidade de responder a influências e há trabalhadores a mais porque muitos trabalhadores produzem o mínimo possível e, para piorar a situação, não se limitam a estar simplesmente quietos, sentados à secretária, e há trabalhadores a mais porque há um número elevado de chefes totalmente incapazes, por incompetência ou comodismo.

 

Reduzir os salários em 15% equivale a reduzir os efectivos em 15% mas não tem, infelizmente, o mesmo efeito saneador. Reduz a folha de pagamentos mas não melhora o desempenho. Antes pelo contrário. Mas, no aperto em que estamos, tudo o que não for pior é bom.

 

Pelo que fica dito neste nº III se vê que, nesta matéria de corte de remunerações, não há paralelo entre o caso dos trabalhadores do Estado e os do sector privado. Mas este tema fica para outra oportunidade!

IV

 

MIGUEL RELVAS É UM POLÍTICO INTELECTUALMENTE DESONESTO

 

 

 

28 de Outubro de 2011

 

 

Joaquim Vicente Pinto   jotap@sapo.pt          www.favelaocidental.com