PERDOAR-ME-ÃO VOSSAS EXCELÊNCIAS!

 

 

I

 

O Senhor Presidente da Republica disse há dias perante as câmaras de televisão que agora devemos concentrar-nos no objectivo de colocar o Senhor Dr. Durão Barroso na presidência da União Europeia.

 

O Senhor Primeiro-Ministro declarou há duas ou três semanas que o Governo apoia o Sr. Dr. Durão Barroso na sua candidatura à Presidência da União Europeia.

 

Tudo isto porque o Senhor Dr. Durão Barroso é português e a sua escolha para tal cargo é uma honra para o país.

 

É verdade.

 

Mas também é verdade que o Senhor Dr. Durão Barroso foi primeiro-ministro de Portugal e não fez obra que o recomende. E também é verdade que a sua notoriedade internacional resultou de um facto fortuito e acidental: a cimeira dos Açores.

 

O Senhor Dr. Durão Barroso é um político notável; particularmente notável pela sábia gestão da sua carreira política. Eu diria que o Sr. Dr. Durão Barroso é, na política, o que um outro português, também notável, o Senhor comendador Berardo, é na especulação financeira.

 

 Na verdade nem um nem outro acrescentaram ao país nada que valha a pena..

 

II

 

Creio que os nossos chefes políticos estão honesta e verdadeiramente interessados em salvar os países europeus do triste destino que os espera no mundo novo em formatação acelerada e que antes do fim do século XXI os arrumará na prateleira dos países de segunda e terceira linha.

 

Creio que não há solução fora da criação de uma União Europeia, o que possivelmente exigirá a poda de alguns ramos podres, e creio também que as nações europeias, se devidamente esclarecidas por chefes competentes, dignos e fiáveis, não deixarão de aderir à ideia de uma “alma europeia”

 

A União não poderá ser construída sem a adesão dos povos, mas também não poderá ser construída sem chefes adequados, que terão que ser os catalizadores da mudança de mentalidades. Ideólogos e homens capazes de transformarem as ideias em acção!

 

Os chefes serão o elemento sine qua non da construção da ”Europa”.

 

Mas, além do que já ficou dito, estes homens, estes chefes, têm que compreender que um universo de trezentos a quinhentos milhões de almas, que muitas vezes lutaram entre si, com tradições próprias diferenciadas, de diferentes origens ancestrais, não podem, sem mais, ser metidos num espartilho uniforme. O projecto europeu não precisa só de chefes, precisa de chefes excepcionais.

 

A escolha dos chefes é vital neste projecto.

 

III

 

Perdoar-me-ão Vossas Excelências, mas permito-me perguntar: não seria mais prestigiante para Portugal e mais proveitoso para o projecto europeu se, em vez de afirmarmos que vamos empenhar-nos a fundo na nomeação do português Dr. Durão Barroso para o cargo de presidente da Comissão Europeia, disséssemos que nos vamos empenhar a fundo na escolha do melhor homem disponível para a presidência da Comissão, incluindo nessa pesquisa a candidatura do Dr. Durão Barroso, e que vamos sensibilizar, com incansável persistência, os governos dos outros países da União para a importância vital dessa escolha?

 

Visto o actual presidente ser português, teríamos particular autoridade para fazer tal proposta e, adicionalmente, daríamos uma prova exemplar da nossa isenção e afirmaríamos, com actos, que consideramos que o interesse do projecto europeu tem que ser colocado acima de vaidades e interesses nacionais secundários.

 

 

12 de Junho de 2009

 

Joaquim Vicente Pinto   info@favelaocidental.com     www.favelaocidental.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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