“REPARTIÇÃO”, PALAVRA MAL AMADA

 

2ª edição

1ª edição: 10-01-2007, in www.favelaocidental.com 

 

 

Nos anos cinquenta e sessenta havia economistas portugueses que se preocupavam e discutiam a repartição do rendimento nacional.

 

Qual a parte que cabia ao trabalho; qual a parte que cabia ao capital. Qual a parte que “devia” caber a cada um destes parceiros (aqui a porca torcia o rabo). O que acontecia nos outros países europeus e na América do Norte.

 

E faziam comparações e opinavam. E sugeriam mudanças. E, a maior parte das vezes, pronunciavam-se, com independência e seriedade e, sempre, com empenhamento.

 

Pinto Barbosa tinha introduzido o conceito de produto / rendimento nacional no ensino da Economia em meados da década de quarenta. Pereira de Moura era, na década de sessenta o pregador de uma repartição “mais equitativa”; em 74/75 ainda continuava a sua pregação, mas agora, aconselhando ponderação e realismo, procurava moderar ímpetos insensatos e destrutivos.

 

Economistas ocuparam-se do tema com seriedade, independência e o equilíbrio possível.

 

 

Hoje, não se ouve mais falar em repartição , palavra, pelos vistos, mal amada, mas se o rendimento nacional está estagnado há anos e os gordos estão cada vez mais gordos forçosamente os magros tem que estar cada vez mais magros.

 

E tudo parece indicar que este é um assunto com o qual todos dormimos perfeitamente – os gordos porque beneficiam, os magros porque se sentem numa época em que não perder o emprego já é muito bom, os sindicatos porque têm pouca audiência, os governantes porque não querem ondas – o barco é pequeno, o motor é de pouca potência, a carga é pesada e as cartas de marear estão muito gastas e de difícil leitura e o comandante e a sua tripulação querem sobreviver.

 

 

E eu, o que quero? Por que abordei este tema? Qual é o meu objectivo?

 

Simples, muito simples! Lembrar aos portugueses, gordos e magros, poderosos e humildes, e, principalmente, ao Governo e, de uma maneira geral aos políticos, que , ainda que os tempos sejam dominados pela palavra APROPRIAÇÃO, a MAL AMADA ainda existe e não deve, e não pode, ser pura e simplesmente varrida para debaixo do tapete do esquecimento.

 

 

 

10-01-2007

 

 

 

J. Vicente Pinto

 

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