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SISTEMA
SOCIAL EUROPEU,
MURALHA
IMATERIAL CONTRA O COMUNISMO
I
As
grandes muralhas sempre me fascinaram. Por duas razões: os enormes
sacrifícios que a sua construção impôs e o
medo que exigiu que fossem construídas.
E
também, - por que não dize-lo? – a inenarrável estupidez
de quem as mandou construir algumas delaas, estupidez agravada pelo facto
de, as estúpidas, terem sido construídas no século
XX.
Explico-me
melhor!
As
quatro grandes muralhas – a da China, a de Adriano, a de Antonino e a
Limes - foram todas construídas há mais de mil e quinhentos
anos, ainda que a da China tenha sido reparada e reconstruída até
ao século XVII. Todas cumpriram o seu objectivo, pagando, assim,
o sacrifício da sua construção e satisfazendo, mais
ou menos bem, o fim para que tinham sido construídas, ainda que
todas tenham acabado por ficar obsoletas e tenham ficado, mais cedo ou
mais tarde, com a única serventia de serem testemunho do passado.
As
duas muralhas construídas no século XX, são europeias
– a linha Maginot e a muralha do Atlântico - dois insucessos retumbantes,
- representam, a primeira, a tacanhez de previsão e a estupidez
francesa e, a segunda, a fantasia e a auto-suficiência de Hitler.
II
No
século XX, a Europa esteve sujeita a perigos mais graves do que
os enfrentados pela China (mongóis) ou Roma (povos da Escócia
e tribos germânicas) mas teve a inteligência de compreender,
ajudada pela Igreja, que o que a ameaçava – Marx e o comunismo
russo - não poderia ser vencido nem pelo isolamento, criando muralhas
físicas, nem pela guerra,
III
A
Europa, com uma população de trabalhadores agrícolas
e industriais, cristãos e com um exacerbado sentimento de propriedade
(ainda que de parcos haveres) teve a inteligência de criar, com
o apoio da Igreja, uma muralha imaterial que opôs, com sucesso
, a Marx e ao comunismo.
A
essa muralha foi dado o nome de sistema social europeu.
IV
O
sistema social europeu, e o comunismo na Rússia e na China, permitiram
que se estabelecesse um equilíbrio, ainda que instável,
entre capital e trabalho. Este equilíbrio está em risco.
Mais,
no mundo de hoje, todos os equilíbrios estão em
risco de rotura.
(CONTINUA…)
30
de Janeiro de 2008
J.
Vicente Pinto
{novo texto / imagens}
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