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SÓCRATES
ESTÁ COM MEDO; tenho medo de Sócrates.
I
È
manifesto que Sócrates está com medo!
Sim?!
Mas, medo de quem ou de quê?
É
evidente que não tem medo de perder as próximas legislativas;
tem medo de perder a maioria absoluta. Porque “sabe” que não é
para a sua personalidade governar com um pequeno partido agarrado às
canelas, e, além disso, não pode aceitar estar condicionado
quando já foi senhor absoluto da cena. Para ele, essa será
sempre uma situação vexatória
Mas quem é que lhe mete medo?
Em
primeiro lugar, destacado, Manuel Alegre.
Manuel
Alegre e o seu grupo, depois de terem retirado Soares do sólido
pedestal em que este julgava estar, estão altamente moralizados
para atacar Sócrates. E Sócrates sabe que, além de
razões de ordem “ideológica”, Manuel Alegre tem uma divida
a cobrar.
Mas
há mais, a saída de Correia de Campos, mantendo-se o mesmo
projecto, não faz sentido, nem mesmo para fingir que os contestatários
foram ouvidos.
Correia
de Campos era um bom ministro que tropeçou, basicamente, porque
quis andar depressa demais (e pela maneira canhestra como tratou com a
comunicação social).
Mas andar depressa demais é o estilo de Sócrates
Exacto.
E não me admiraria que tivesse sido o próprio Sócrates
a incentivá-lo nessa direcção. Dispensar o ministro
deve ter sido uma decisão dolorosa e sacrificial que só
o medo, o medo de perder votos, pode justificar.
O
medo é destruidor mas, também, aguça o engenho.
Esse medo é justificação suficiente para a decisão
de Sócrates de “libertar” Correia de Campos?
Correia
de Campos estava lançado numa tarefa hercúlea que mexia
com poderosos interesses instalados e ofendia preconceitos e ideias feitas
dos utentes. E, fazendo, tinha, ele ou outro qualquer, inevitavelmente,
de cometer alguns erros.
Sócrates,
seguramente, sempre entendeu a delicadeza da tarefa e, hábil, manteve-se
à margem.
Deixando-o
partir (ou empurrando-o para a porta, ou combinando com ele a sua saída
por razões estratégicas) Sócrates fingiu que cedia,
o que poderá trazer-lhe alguns proveitos e alguma justificação
para um pequeno compasso de espera.
Mas,
de facto, foi o medo e um descuido, incompreensível, de Manuel
Alegre que precipitaram este desfecho
Manuel
Alegre falou na hipótese de criação de um novo partido
e disse, erro fatal, que não seria difícil tirar a Sócrates
4 ou 5 % dos votos. Esta percentagem é modesta e, estou convencido,
facilmente atingível, mas tem um mas… É preciso criar o
tal partido.
Creio
que esta afirmação fez soar, com mais intensidade, todas
as campainhas de alarme no círculo interior do universo Sócrates
e compreender a urgência de acção contra Alegre. E
só há uma maneira eficaz de atacar Alegre – impedir que
se concretize a ideia do novo partido.
E
só há uma maneira segura de atingir este objectivo – atrair
para o campo de Sócrates os mais ambiciosos e hábeis apoiantes
de Alegre.
Todos
os políticos sabem que político parado é, normalmente,
político a morrer. E os apoiantes de Alegre sabem-no. E sabem,
também, que Alegre não é futuro.
Mas
Sócrates precisava de lhes der um aceno de abertura. E só
a colocação de um deles em cadeira ministerial (se possível
de relevo) seria um aceno convincente. E Sócrates resolveu faze-lo.
E já!
Mas
teve o cuidado de escolher um elemento de segunda ou terceira linha, como
que a dizer aos da primeira: isto é um sinal não é
um compromisso, é a vocês que eu quero na próxima
legislatura.
As
cartas estão lançadas. O jogo vai começar.
Ou,
melhor, já começou; já houve, de certeza absoluta,
algumas jogadas por baixo da mesa.
Alegre
que se cuide!
Parece-me convincente!
01
de Fevereiro de 2008
J.
Vicente Pinto
{novo texto / imagens}
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