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SÓCRATES,
O GASÓLEO E A FORÇA DOS CAMIONS DE 30t…
ou
UM
GOVERNO COM TRIPLA PERSONALIDADE E MANIFESTA FALTA DE COMPETÊNCIA
I
Afinal,
a dúvida está definitivamente esclarecida!
Pensávamos
que tínhamos governo; às vezes, pensávamos que não;
outras vezes, ficávamos na dúvida!
Hoje
sabemos que temos um governo com tripla personalidade – é forte
com os fracos; é fraco com os fortes e, para variar, às
vezes, é normal.
De
facto, não temos governo. Temos um governito que se encolhe quando
trata com os que têm força, um governão que incha
quase até rebentar quando trata com os mais fracos; e que nas situações
neutras, flutua com alguma normalidade.
E
ficamos também a saber que o governo não é o rochedo
de Gibraltar; às vezes tem medo e assusta-se, ou assusta-se e tem
medo, segundo confessou, em momento de fraqueza, o Senhor primeiro-ministro
II
Na
semana passada os senhores empresários do sector dos transportes
rodoviários de mercadorias levantaram-se em pé de guerra
contra o governo – motivo: o aumento do preço do gasóleo
– .e exigiram d o governo subsídios e outras ajudas.
O
Senhor primeiro-ministro e o Senhor ministro dos transportes, assumiram
o comando das operações e, com a sua reconhecida capacidade
negocial, e o sentido de Estado que lhes é peculiar, logo se deixaram
enrolar numa discussão verdadeiramente anormal.
Enquanto
isso, os Senhores empresários paralisaram os transportes rodoviários,
com as consequências que os meios de comunicação social
noticiaram.
III
Ninguém
pode afirmar que os patrões camionistas invocaram uma dificuldade
fictícia ou que eles próprios criaram . Não! Todo
o mundo sabe, literalmente, todo o mundo sabe, que o preço do petróleo
tem aumentado continuamente desde há muitos meses. E toda a gente
sabe que este aumento tem que ser suportado pelo consumidor final, quer
directamente como tal, quer como contribuinte.
Os
industriais de transporte rodoviário de mercadorias estão
confrontados com um problema que não podem controlar
e muito menos dominar – o aumento do preço do combustível.
Os
outros problemas do sector resultam de incompetência ou ganância.
O
Senhor governo assustou-se com os argumentos de 30 toneladas exibidos
pelos “peticionários”, teve uma branca, entupiu…e deixou que os
senhores empresários levassem a discussão para onde quiseram,
isto é, para fora do tema fulcral
O
Senhor primeiro-ministro e o Senhor ministro dos transportes, se soubessem
o que estavam fazer, teriam circunscrito a discussão ao problema,
esse, sim, indominável pelos empresários, do custo do gasóleo,
e te-los-ia aconselhado a fazerem repercutir o custo resultante desse
aumento nas suas facturas.
E…
tomariam imediatamente duas medidas indispensáveis e inadiáveis:
PRIMEIRA:
Auditoria permanente às contas das empresas da fileira refinação
/ comercialização para que, nesta situação
de emergência da economia nacional e mundial, as empresas
desta fileira não tirem proveito abusivo da crise;
SEGUNDA:
Definição, em colaboração com a Associação profissional
do sector, da formula de cálculo do sobrecusto de gasóleo,
a integrar nas suas facturas como verba individualizada, a cobrar
aos seus clientes. E montagem de fiscalização adequada.
IV
O
dito em III é o que um governo competente teria feito (e é
o que está a ser feito por transportadores no mercado internacional).
Teria
considerado os legítimos interesses dos transportadores e ter-lhes-ia
dado a indicação de uma saída positiva para as suas
graves dificuldades. E teria podido explicar ao povo, de maneira clara,
transparente e quantificada , de modo que todos pudessem compreender a
situação e vissem que o governo estava a defender, sem preconceitos
e com rectidão, os justos interesses dos transportadores e, tanto
quanto era possível ,o interesse nacional.
V
A
solução adoptada pelo governo não dá nenhuma
garantia aos portugueses de que, mais uma vez, o governo não esteja
a favorecer interesses particulares à custa da bolsa dos cidadãos,
que já vivem mal e sentir-se-ão ainda pior suspeitando que
estão a ser sacrificados a interesses injustificáveis.
,
Em
próximo texto farei a análise dos benefícios, que
nada têm a ver com o aumento do preço do gasóleo,
dados aos Senhores empresários dos transportes de mercadorias.
16
de Junho de 2008
J.
Vicente Pinto
{novo texto / imagens}
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