SR. RUI TAVARES, NÃO ESQUEÇA; AGORA, O SENHOR TAMBÉM FAZ PARTE DA TRUPE!

 

                                                   I

Num texto, digamos, pouco alinhavado, [Público, 27 de Março] o Sr. Rui Tavares, deputado ao Parlamento Europeu, pergunta “por que é a actual geração de líderes [da União Europeia] de uma mediocridade tão confrangedora?”

E responde: “a razão é simples: eles — Sarkozy, Brown, Merkel, Barroso, acrescentados agora de Ashton e Van Rompuy - têm falhado todos os testes.

Concordo inteiramente com o Sr. Rui Tavares — a União Europeia é governada por políticos medíocres.

Infelizmente, a resposta do Sr. Rui Tavares, cronista, não está à altura do Sr. Rui Tavares, historiador e deputado europeu.

De facto, os dirigentes europeus não são medíocres porque falharam todos os testes. Não! Eles falharam todos os testes porque são medíocres.

O Sr. Rui Tavares não responde à pergunta que formula — esgueira-se.

Permito-me lançar-lhe um desafio, porque acredito que se se esforçar poderá dar-nos uma resposta que, pelo menos, nas faça pensar: Diga-nos, na sua opinião de historiador e de “político europeu”, “por que é a actual geração de líderes [da União Europeia] de uma mediocridade tão confrangedora?”


II

O Sr. Rui Tavares mete no grupo a Sra. Ashton, líder da política externa europeia, e o Sr. Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, que, podemos dizê-lo, acabam de ser nomeados.

Seria de esperar que nos desse algumas razões fortes, mas não! Da Sra. Ashton diz: “Ashton acha que liderar a política externa não merece trabalhar ao fim de semana”; de Van Rompuy: “Van Rompuy não se impôs enquanto Sarkozy e Merkel decidiam sozinhos”.

Não respondo por nenhum dos dois, mas o que o Sr. Rui Tavares diz parece-me pouco e apressado para fundamentar uma opinião credível.

E, já agora, conhece o Sr. Rui Tavares as ideias do Sr. Rompuy sobre o seu cargo e sobre o que deseja para a União Europeia? Se sim, dê-nos a sua opinião, se possível fundamentada, sobre essas ideias.


III

O Sr. Rui Tavares faz hoje parte da trupe dos políticos europeus.

É deputado independente, o que lhe dá a enorme vantagem de poder pensar com a sua cabeça. Por que não diz no Parlamento Europeu o que acaba de escrever no Público? Por que não gasta algum do seu tempo a, informando e opinando fundamentadamente, ensinar aos portugueses o que é e o que deve ser a União, o que os portugueses têm a perder e a ganhar, a curto e a longo prazo, com a sua adesão sincera à ideia de uma União política (ou por que devem recusar tal adesão), que outras alternativas temos… e o mais que entenda conveniente!

Creio que, se o fizesse, estaria a bem servir a Causa Europeia  e a nossa Causa.  Eu, pelo menos, daria por bem empregados os euros que recebe pela sua função.


30 de Março de 2010   (publicado em 16 de Abril)

 

Joaquim Vicente Pinto        jotap@sapo.pt         www.favelaocidental.com

 

NOTA - Para conhecimento, enviei cópia deste texto ao Sr. Rui Tavares.

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