UM VASCO PULIDO VALENTE À  SÓCRATES, 02-05-2010

 

 

 

I

 

Um dos traços mais característicos de Sócrates é este: Sócratesnão as pensa”! Faz uma lista de acções e avança convencido de que por onde passa a cabeça passa o corpo todo. Infelizmente, com frequência tal convencimento não tem suporte consistente e o resultado é desastroso. Todos pagamos; alguns, seguramente,  aproveitarão.

 

II

 

Hoje, no Público, Vasco Pulido Valente aborda a catástrofe que se aproxima e diz-nos que “há várias maneiras de reagir”.

 

1ª –“ Arranjar “nervos de aço” e prosseguir serenamente na asneira, como o nosso inefável Sócrates; …”

 

2ª – “Inventar um “ataque especulativo”…”para nos sentirmos, como de costume, a vitima inocente de forças maléficas como o “capitalismo internacional””…

 

3ª – “Tomar medidas para que o pior não chegue ao pior”. Pede licença para dar uma amostra e diz: “Aqui vai”:

 

III

 

A lista de Pulido Valente

 

A proposta de Pulido Valente é constituída por duas listas, que identificarei por A e B, e cujos itens arrumarei por ordem diferente da apresentada pelo autor.

 

“Aqui vai”:

 

  • “Reduzir o número de feriados. Quatro (4) chegam: o Natal, o Ano Novo, o Dia de Portugal e a Sexta-feira Santa. Ganhávamos com isso e com a eliminação das “pontes” mais de um mês de trabalho.” (A 1º)

 

Isto é: Aumentar o tempo de trabalho em 9%, mantendo o salário.

 

 

  • Acabar com o chamado “subsídio de férias” (para subsidio já bastam as férias pagas.” (B 5º ?)

 

Isto é: Reduzir os salários em 7%

 

 

  • “”Acabar com as promoções no funcionalismo, pelo menos, durante 5 anos.” (B 5º)

 

Isto é: Desmotivar os melhores

 

 

  • “Proibir a contratação de mais funcionários públicos.” (B 3º)

 

 

  • “Suspender imediatamente os grandes projectos (o novo aeroporto, o TGV, a TTT)” (B 1º)

 

  • “Não construir um único quilómetro de auto-estrada.” (B 2º)

 

  • “Eliminar serviços sem objecto ou mesmo nocivos (por exemplo, o Instituto do Livro)” (B 4º)

 

  • “Fechar as fundações ou pseudofundações que o Governo sustenta, quer directamente (ou seja, do centro), quer através das câmaras.” (A 3º)

 

  • Fechar empresas públicas: as que são inteiramente substituíveis (por exemplo, a EPUL e a RTP) e as que perdem dinheiro sem qualquer resultado relevante ou benéfico (a lista é infinita).” (A 2º)

 

  • “Pôr um limite legal à despesa do Estado.” (B 6º)

 

  • “Aumentar o IVA dois por cento.” (B 7º)

 

  •  “Vender as propriedades do Estado que não servem um interesse nacional evidente (quartéis, prédios, matas, florestas, por aí fora)” (A 4º)

 

  • Vender os submarinos e outro armamento inútil ou excessivo.” (A 5º)

 

  • Demolir e vender o autódromo do Estoril, o autódromo do Algarve e meia dúzia de estádios deficitários, sem indemnização a particulares.” (A 6º)

 

  • Regular a banca estrita e rigorosamente.” (B8º)

 

IV

 

Um Vasco Pulido Valente à Sócrates!

 

 

 

 

 

Lisboa, 02 de Maio de 2010

 

 

J. Vicente Pinto              jotap@sapo.pt            www.favelaocidental.com

 

 

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