.

Uma PERGUNTA à Senhora Caixa Geral de Depósitos; INSISTÊNCIA

 

 

I

.

Em 07 de Outubro de 2008 publiquei o texto que se segue..

.

“Nos tempos quentes do affaire BCP soube-se, com alguma surpresa ainda que se tratasse de um negócio perfeitamente normal, que a Caixa tinha emprestado grandes quantias a alguns investidores para compra de acções do BCP.

.

A Caixa disse que sim, mas que esses senhores investidores tinham caucionado esses empréstimos com acções, nomeadamente, do BCP; esses senhores investidores confirmaram.

.

Depois dessa época a Bolsa teve uma quebra de mais de 30% e as acções do BCP perderam dois terços do seu valor.

.

A minha pergunta é simples e talvez ingénua:

.

A Caixa obrigou os referidos senhores devedores a actualizarem as suas cauções, ou criou provisões para cobrir o risco não caucionado, ou aceitou as cauções como pagamento da dívida? Ou (hipóteses que eu não tenho competência para formular)?

.

II

.

Ontem, 20 de Dezembro de 2008, (na véspera, a última cotação do BCP foi de 76 cêntimos; uma quebra de 24% em relação a 07 de Outubro), o Expresso noticiou:

.

(1)

Já a Caixa diz apenas …

.

Por clarificar ficaram questões sobre eventual incumprimento de crédito de clientes, nomeadamente nos empréstimos para compra de acções que terá ascendido nos últimos dois anos a centenas de milhões de euros. Só no caso dos accionistas do BCP – Joe Berardo, Manuel Fino, Gomes Ferreira e Pedro Teixeira Duarte – os valores rondam, segundo o Público, os €500 milhões. Além disso, no primeiro semestre  

.

(2)

“O primeiro-ministro, José Sócrates, surpreendeu esta semana o país com o anúncio de um novo aumento de capital na Caixa Geral de Depósitos (CGD): €1000 milhões. É o terceiro reforço de capital do banco estatal no espaço de um ano. Em Dezembro de 2007, já em plena crise do crédito de alto risco, foram injectados na Caixa €500 milhões. Meses depois, em Outubro, a venda de participações da CGD na REN e nas Águas de Portugal, permitiu encaixar mais €390 milhões.

.

A informação sobre a operação é nula e sobre os motivos deste reforço escassa.”

.

(3)

No mercado internacional

.

Caixa não consegue empréstimo apesar do aval do Estado.

.

A primeira emissão de um banco nacional, apesar de contar com a total garantia do Estado, revelou-se um relativo fracasso. O resultado é ainda mais preocupante, como assinalam diversos banqueiros, por o banco em causa ser a Caixa Geral de Depósitos, instituição detida a 100% pelo Estado, logo com um risco menor do que um banco privado.

.

A Caixa pretendia captar dois mil milhões de euros no mercado internacional, através da emissão de dívida garantida, mas apenas obteve 1,25 mil milhões. Mesmo para chegar a este resultado foi obrigada a colocar parte significativa da emissão no mercado nacional.

.

III

.

Permito-me repetir, ligeiramente ampliada, a pergunta formulada em 07 de Outubro.

.

“A Caixa obrigou os referidos senhores devedores a actualizarem as suas cauções, ou criou provisões para cobrir o risco não caucionado, ou aceitou as cauções como pagamento da dívida? Ou, …ou…ou… (hipóteses que eu não ouso fazer ou não tenho competência para formular)?

.

E acrescento outra pergunta

:.

Em que medida o financiamento de risco feito aos grandes especuladores contribuiu para colocar a Caixa nas presentes dificuldades?

.

.

21 de Dezembro de 2008

..

J. Vicente Pinto      jotap@sapo.pt        www.favelaocidental.com

2ª edição, em 21-12-2008

.

.

{novo texto / imagens}