ZITA SEABRA – FUI ASSIM

 

 

 

 

Li as memórias de Zita Seabra. Gostei de as ler mas ficou-me um sabor amargo!

 

Aquela mulher, que quase criança começou a servir o Partido Comunista com extrema ingenuidade e dando-se totalmente às suas (dela) boas intenções, não foi mais que uma escrava do Partido.

 

Esta afirmação que qualquer leitor compartilha no que se refere aos anos iniciais, ainda que possa acrescentar que foi uma escrava voluntária, encontrará a discordância de muitos que contraporão que ela subiu na hierarquia do partido tendo chegado ao cume, como membro do Comité Central. É verdade que chegou ao Comité Central e, como pensamos que o Comité Central era o cérebro e órgão decisor, achamos que ela foi cérebro e decisora. É matéria sobre a qual sempre tive dúvidas e que a leitura do seu livro não resolveu.

 

 

Há dias, ouvi uma entrevista dada por Zita Seabra à televisão. Afirmou a certa altura que Cunhal (no pós 25 de Abril) sempre se opôs a que o Partido avançasse para uma acção mais agressiva, dizendo aos seus correligionários que o Partido só deveria seguir nesse sentido quando tivesse do seu lado metade dos militares mais um. (Para bom entendedor – o que parece não ter sido o caso de Zita Seabra – nunca!)

 

Pareceu-me que isto foi dito como uma critica a Cunhal, o que significa, claramente, que Zita não só não foi capaz de perceber a real fraqueza dos comunistas em Portugal como foi excluída do conhecimento dos objectivos últimos da URSS e de Cunhal – não perturbar, com aventuras em Portugal, o equilíbrio Este/Oeste vigente; criar no nosso país uma agitação que impusesse uma descolonização rápida e atabalhoada com entrega dos territórios coloniais a movimentos políticos pró - soviéticos.

 

 

 

 

10 de Agosto de 2007

 

 

 

J. Vicente Pinto

 

 

 

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